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Mais um dia da mulher está se aproximando. Não sei bem quando isso começou, mas não faz muito tempo. Veio como um carinho, uma atenção especial à mulher. Um dia para tornar explícito nosso sentimento em relação a tudo que elas representam em nossas vidas!
E sua instituição nos remete a todos os movimentos de valorização da mulher, pois por muito tempo nossa sociedade não a tratou com a devida consideração. Há alguns anos, não tantos como deveriam ser, a mulher era considerada uma espécie de cidadão de segunda classe, pois lhe era negado acesso ao ensino, não recebia o mesmo que homens quando executavam as mesmas funções, era excluídas de conversas porque mulher não entende... e muitas coisas desse tipo. Ao homem segundo a teoria geral da sociedade era facultado uma série de experiências e direitos enquanto à mulher cabia ficar em casa cuidando de tudo e de cabeça bem abaixadinha...
Obviamente, isso não era uma situação sustentável.
E muitos movimentos de libertação da mulher e de igualdade de direitos foram instituídos!
Grande progresso social à custa de muita luta e sofrimento.
Então, tudo o que era tipicamente masculino passou a soar como um retrocesso social e uma coisa terrivelmente atrasada e injusta! E o mesmo para aquelas qualidades que nós costumamos nos referir como femininas.
Nesse momento, a mulher começou a querer os direitos e comportamentos do homem, pois, por uma questão básica de justiça, lhe era devido: se o homem podia, a mulher também podia. Mais do que isso: não só a mulher poderia ter acesso a tudo o que era reservado ao homem, como tudo o que as pessoas falavam que era coisa de homem podia muito bem ser de mulher também! As diferenças entre homens e mulheres era uma invenção social a serviço da injustiça e desigualdade! Quem apregoasse a diferença era escorraçado em praça pública como retrógado e injusto.
O fato é que, podemos ver hoje, houve uma série de confusões nesse movimento todo.
É claro que não deve haver desigualdade de oportunidades e de expressão. Claro que todos devem ter direito à educação e ao voto. Claro que devemos pagar o mesmo para homens e mulheres, se executam a mesma função. É claro que ninguém pode ser excluído ou ridicularizado por sua condição.
Mas, na briga por se fazer valer esses direitos básicos, se atacou o ponto central da questo: a diferença. A briga era provar que não havendo diferença, seria ilógico, além de eticamente insustentável, fazer diferenciações.
O problema todo foi que, ao se atacar a diferença, realmente, fomos, aos poucos, tirando de nossos olhos o direito de ver as diferenças. Como na fábula do rei vaidoso, nós não víamos as diferenças, uma vez que, vê-las significava ser possuidor de uma alma ruim.
O segundo problema é que, ao escolher um plano onde se igualar, os movimentos de valorização da mulher escolheram como padrão o homem...
Qual foi a confusão? A confusão foi insistir na igualdade total, quando se queria igualdade de direitos e oportunidades. Se justificou a igualdade de direitos e oportunidades calcado na igualdade dos sexos. Segundo, que imitar o padrão masculino foi uma péssima escolha. Quem disse que o homem era feliz com seus direitos? Ou que seus direitos eram bons?
Gostaríamos muito que esse pequeno artigo colaborasse para que os leitores e leitoras começassem a refletir sobre isso: há muitas diferenças sim, entre homens e mulheres. E todos serão mais felizes quando começarmos a valorizar as diferenças. Ser especificamente mulher é um grande privilégio. Há muitas coisas sensacionais que só a mulher sabe oferecer. O tempero da vida é uma conjunção desses fatores. Por isso as filosofias do oriente propõem que o universo é um equilíbrio entre as forças masculinas e femininas. Complementariedade, é a palavra. Meus votos para esse dia, portanto, é que homens e mulher se completem e sejam felizes construindo um mundo onde o masculino e o feminino possam conviver e enriquecer o mundo cada qual à sua maneira.
João Paulo Correia Lima é
Psicólogo clínico - diretor da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Mestre em Neurociências - USP - membro do grupo de Neuroimunomodulação - USP
7467-1141 - e-mail jpcorreialima@gmail.com