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16/07/2009 - 09:45
A Sombrinha da Impunidade

Do alto de sua popularidade, Lula se sente maior que as proporções do cargo que ocupa. Os 84% de aprovação, ainda que construídos sob a égide do populismo latino-americano, dão-lhe margem para apostar que suas ações no Executivo estão acima de qualquer instituição ou personagem de renome público. Tanto pensa assim, que se sente autorizado a atacar ou defender, dependendo da conveniência da hora, quem estiver em seu caminho. Foi assim que mandou às favas o decoro e saiu em defesa do nome mais sujo que o Senado não só abriga como delega o cargo da presidência nestes tempos de crise política: José Sarney. O senador, que tem hoje uma ficha de integridade tão limpa quanto a de um urubu, carrega nas costas acusações suficientemente obscuras para desmerecer o apoio de qualquer figura em Brasília, quanto menos o presidente desta República. O lulismo não se abstém da aprovação popular e empresta, destarte, a velha sombrinha da impunidade aos aliados de sempre.

Em viagem ao Cazaquistão, algumas semanas atrás, o presidente soltou o verbo em defesa do seu apadrinhado Sarney. À revelia de uma série de denúncias envolvendo cargos irregulares e atos secretos, Lula disse que o presidente do Senado “não é uma pessoa comum”, chegando a questionar a veracidade dos desvios de conduta levados a cabo por Sarney e seu clã. Não bastasse a audácia com que conduz o jogo político, além de duvidar das garridas revelações dos principais veículos de imprensa do País, Lula desrespeita boa parte dos princípios de justiça que, em teoria, deveriam ser exemplares num departamento como o Congresso Nacional.

O Planalto já deu a entender que não vai arredar pé. Defenderá Sarney até o fim do imbróglio no Senado, e pretende jogar pela janela toda a correção moral que há anos pretendia impor no governo quando dele tomasse posse. Menos por falta de idoneidade que por manobra eleitoreira, a tropa de choque da dita base aliada declarou guerra à oposição – tudo a mando do lulismo, evidentemente. Mas seria ingênuo julgar o movimento pró-Sarney como exercício de benevolência entre amigos de longa data. Tudo bem que o presidente tenha contas a quitar com o passado pouco distante, quando o PMDB aceitara assumir a responsabilidade de escândalos como o mensalão por puros fins de lealdade partidária. Mas não é esse o principal motivo por que Lula defende o clã de Sarney.

 

Na verdade, a movimentação de peças neste jogo de denúncias e acusações segue a margem eleitoreira das regras. Lula aceitou sujar sua imagem na defesa de uma raposa – cuja fundação desviou R$ 500 mil do R$ 1,3 milhão obtido da Petrobrás a título de patrocínio cultural – não porque tem amor no coração, mas porque tem visão de futuro e prevê que na ausência de aliados como Sarney o pleito de 2010 estará demasiado comprometido. Para garantir a eleição da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff (que está mais para candidata do que ministra), será preciso mais que palanques ilicitamente antecipados e panfletos demagogicamente distribuídos às custas do erário. Será preciso total apoio de Sarney e de todo o resto do PMDB, além de partidos menores dispostos a catapultar a autointitulada progenitora do Programa de Aceleração do Crescimento (o empacado PAC).

Ainda mais agora que foi descoberta a real identidade de Dilma, o arquétipo feminino de Pinóquio, personagem conhecido todos sabem por que. A ministra mantinha, publicado em site oficial da presidência da República, um currículo em que se dizia mestre em economia e doutora em ciências sociais pela Unicamp. Mas ela não é nem mestre nem doutora. Abandonou os dois cursos para virar, nas suas palavras, “secretária”. Segundo rege a Constituição, maquiagem no currículo é crime de falsidade ideológica. Só por isso ela já poderia se considerar fora da disputa do ano que vem. Num exercício de retórica, Dilma ainda tentou se explicar dizendo que “não estava gazeteando nada”. Ora, a questão não é a frequência de atendimento às aulas ou a vontade que reservava a elas, mas o simples fato de ter se passado por acadêmica sem sequer ter recebido diploma pelo título. Como bem apontou Daniel Piza, além da ironia do nome do crime, há a de que ela quer ser sucessora de um presidente que sempre se gabou de "chegar lá" sem precisar de diploma.

 

A mentira, por sinal, também foi motivo de rebuliço nesta semana. Ao tentar distanciar-se de sua instituição cultural (a Fundação Sarney), o senador alegou que, nela, não arca com responsabilidades financeiras, como sugeriu o Estadão em reportagem exclusiva. Em resposta, a secretaria de imprensa da presidência do Senado disse que em novembro de 1990 o senador transmitira toda a administração a José Carlos Souza e Silva via delegação de poderes “devidamente registrada em cartório”. Mas os documentos entregues pela própria Fundação ao jornal desmentem-na, uma vez que ela só delega tais poderes na ausência de Sarney, e não in totum como querem seus assessores. Diante de um personagem que nem a Disney empregaria, a conclusão é imediata: infrene, Lula defende um arauto da mentira - o qual usa a burocracia para desviar acusações que caem sobre sua cabeça -, emprestando-lhe o guarda-chuva da impunidade. Mas, se depender dos interesses Dilma-2010, não haverá denúncia que fure a sombrinha de Sarney.

Yan Rodrigues dos Santos - 16 anos - estudante do Etapa
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Nota da redação

O Atibaia News, toma a iniciativa de abrir um espaço novo e bem interessante, a coluna do estudante. Esta coluna tem o intuito de motivar e incentivar os estudantes, independentes de qual grau de escolaridade, para se expressarem, relatando suas opinições sobre um fato político, histórico, literatura, cultura ou arte. Não queremos competições e sim liberdade de expressões. Os textos recebidos serão selecionados e publicados na nossa coluna toda segunda feira. Esperamos com esta iniciativa acolher jovens talentos e transformar o futuro educacional em um sucesso promissor.

Os textos devem ser enviados para
ionebonfim@hotmail.com

Por Yan Rodrigues dos Santos
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