
Depois de descansar e aproveitar bastante a Fazenda Cachoeira em Santo Antonio do Amparo, fomos aprecisar as belezas históricas de mais um pedaço de Minas Gerais.
Em 2006, conhecemos algumas das cidades históricas: São João Del Rei, Mariana, Tiradentes, Ouro Preto, lindas, ricas em história. O meu interesse em conhecer estes lugares começou na faculdade, com as aulas da Profa. Dra. Laura Della Monica, que aproveito e presto minha homenagem. Profa Laura, hoje já não está mais conosco, mas me lembro mesmo com seus oitenta e poucos anos adorava lecionar, com muita dedicação e paciência com as diversas perguntas inocentes que fazíamos. Que ela saiba que muitos de seus ensinamentos foram guardados e até hoje me lembro de muitos deles.
Agora, em 2009, após ouvir de alguns amigos que a cidade de Diamantina tinha seu encanto pessoal, fomos até lá saber se era verdade.
Saindo de Santo Antonio do Amparo, da Fazenda Cachoeira, continuamos seguindo pela Rodovia Fernão Dias até chegarmos em Contagem, na BR 262. Até lá foram mais três pedágios, de R$ 0,55 cada. Da cidade de Contagem-MG até Curvelo estávamos na BR 040 em pavimentação. Sinceramente, ninguém merece rodar por uma estrada em obras, é bem cansativo e chato. Você fica parado ali, esperando e esperando liberarem a pista. Claro que as obras são necessárias, mas se soubessemos que seria tudo isso, teríamos ido por Sete Lagoas, ou talvez por outra rodovia.
Na cidade de Curvelo, fomos abordados por um simpático morador que notou em nossas jaquetas o logo do Brazil Riders e nos convidou para o encontro de motos que aconteceria na cidade, além do show com diversos famosos, principalmente a banda "Calipso". Como ele disse "imperdível", mas tivemos que recusar e seguir para Diamantina enquanto ainda era de dia, para evitar a estrada a noite, pois não sabíamos como seria o caminho.
De Curvelo até Diamantina, são 132km, com uma estrada de belas paisagens, montanhas rochosas, que me senti em algum filme daqueles comerciais de moto quando o casal entra nas ruas e as folhas sobem e as árvores se encontram no alto. Linda, cheia de curvas, cheiro de terra e de mato. Amei, muito boa mesmo.
Como já era quase fim de dia, chegamos a noite em Diamantina e ainda, não tínhamos reservas e nenhum hotel de referência. A idéia era ficar o mais perto do centro histórico para visitar o máximo de atrações históricas possíveis e tudo a pé, para facilitar a visitação. Olhamos no Guia e conseguimos uma vaga na Pousada Serrana, que o recepcionista mandou um mototáxi nos buscar.
Nesta noite fomos degustar a maravilhosa culinária mineira, conhecemos o chef de cozinha "Vandeca" da Pousada e Restaurante o Garimpeiro. Saboreamos um prato típico: bambá do garimpo, feito de feijão batido com costela e couve rasgada, acompanha arroz. Muito gostoso. Só não gostamos do preço do couvert de entrada de petiscos típicos, apenas um pouco de linguicinhas, pão, couve flor e cenoura em conserva e um pouco de berinjela temperada para se comer com torradas. Não achei isso muito típico e ainda pelo precinho de R$ 17,00, algo que poderíamos ter comido por aqui mesmo em São Paulo.
Valeu pelo ambiente, o bambá e o clima de interior com uma bela vista para o Cruzeiro. O marco comemorativo do centenário da fundação de Diamantina (1838-1938).

Cruzeiro da Serra
Em Diamantina, assim como a maioria das cidades históricas é repleta de calçamento de pedras, mas com algumas ladeiras, que de moto, são bem complicadas de andar. Lembramos muito do nosso amigo Mario que não gosta muito de colocar sua "custom" em uma rua assim. Ainda bem que não choveu, pois ficou fácil de passear para todos os lados.

Calçamento de pedras
A idéia principal era visitar a Igreja São Francisco de Assis que sabíamos que tinha sido restaurada recentemente, mas quem disse que ela estava aberta para visitação em pleno domingo? Pois é, ouvimos do "monitor" da Igreja Nossa Senhora do Carmo que a Igreja estava fechada por falta de VISITAÇÃO, pasmem, alegam que a igreja não abre por que não tem turistas para visitar. Não sei se acredito, mas... Não pudemos conhecê-la. Nesta igreja foi enterrada a famosa Xica da Silva, mas não conseguimos vê-la por dentro, mas é linda por fora.

Igreja São Francisco de Assis
Do ladinho da Igreja São Francisco de Assis, na praça tem a estátua de JK, em tamanho natural. Considerado como filho de Diamantina, recebeu esta glamorosa homenagem.

Juscelino Kubitschek

Igreja N S do Carmo
Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, podem até dizer que ela tem valor histórico, mas de belezas e riquezas deixa muito a desejar a todas as maravilhas das demais cidades históricas de Minas. Sinceramente, não achamos tão especial para ficarmos de boca aberta, como aconteceu na Igreja de São Francisco de Assis na cidade de Mariana e nas outras de Tiradentes, São João Del Rei. Cobra-se R$ 2,00 para não se ver quase nada (aliás, vimos um santo de peruca, o que era aquilo heim ?) e sem monitoria. Tivemos que pedir ao rapaz que estava cobrando o ingresso que nos tirassem algumas dúvidas.
No Mercado Municipal, aos sábados, se reúnem turistas ou moradores em busca da cultura do vale, saboreando deliciosos quitutes mineiros, degustando uma boa cachaça, comprando artesanatos de palhas e ainda ouvindo música típica.

Mercado Municipal
A Igreja de Nossa Senhora do Amparo, mais uma que estava fechada, mas de uma beleza que me lembrou as do centro de São Paulo, tão pequena e linda em seu cantinho especial. Com o estilo barroco-rococó. Não vimos, mas soubéssemos que nela tem um presépio setencetista. A peça é trabalhada com conchas no estilo rococó e foi um presente do Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré.

Igreja de Nossa Senhora do Amparo
O Passadiço da Glória era um dos locais que eu tinha grande curiosidade por ter visto em diversas fotos. Foi construído em 1878 para unir a casa e o orfanato das Irmãs da Ordem de São Vicente de Paula. O motivo da construção foi para que as irmãs não fossem vistas na rua e pudessem circular de um lado para o outro sem ter esta preocupação. Desde 1990 foi nomeado Patrimônio da Humanidade.

Passadiço da Glória
Atualmente na Casa da Glória, é o Instituto Casa da Glória, abrigando o Centro de Geologia Eschwege (CGE), que ministra cursos e ainda o Centro de Referência em Cartografia Histórica entre outras atividades como alojamentos. Vale a visita, além deste belíssimo pé de cajamanja, no quesito presença da natureza como em toda Minas Gerais.
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pé de cajamanga (Casa da Glória)

Museu do Diamante
O Museu do Diamante, cobra R$ 1,00 para visitação, mas foi mais um ponto de frustração, pouquíssimas peças em exposição e raras fotos do garimpo e equipamentos da época. Chegamos quase na hora de fechar, mas em 5 minutos conseguimos ver tudo... sem nenhum estresse. O atendimento dos guardas foi bem simpático e com muita paciência para atender e responder nossas perguntas.
Xica da Silva, figura popular da cidade, que muitos conhecem sua história através da novela da antiga Tv Manchete. Esta negra, que conquistou o coração do contratador João Fernandes de Oliveira. Teve 13 filhos. Era muito vaidosa, geniosa, mas ninguém pode negar que mandou e muito em todos e enfrentou os brancos e deixou sem saber como agir. Não é cobrado para visitar a casa e vale a pena conhecer este espaço que tem uma linda área verde no fundo.

Casa da Xica da Silva

Vista da Casa da Xica da Silva

Ainda na Casa da Xica
Nesta visita em Diamantina, infelizmente não conseguimos conhecer o Garimpo artesanal para que todos possam reviver como era nos tempos do garimpo, mas não faltará oportunidade já que com certeza voltaremos mais uma vez por ali, para conhecer as cidades de Serro, Milho Verde, Sabará e ainda a Serra do Cipó.
Nesta visita, guardaremos na memória cada pedacinho de charme, música e um jeito todo simples de ser da cidade de Diamantina, com sua população simples e alegre.
Já na hora de ir embora, passamos perto do Caminho dos Escravos. Se quiser conhecer um pedaço da Estrada Real, esta é uma da trilhas, com cerca de 23 km. Ligando Norte de Minas ao Sul da Bahia. Nesta estrada, passavam-se os animais, tropeiros e sem dúvida alguma, muitos diamantes.

Caminho dos Escravos
Minas, até a próxima visita. Boa semana.
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