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Ser fã dos Beatles é algo diferente.
Algo como uma sociedade secreta de milhões de adeptos espalhados por todo o planeta, que se organizam sem a necessidade de qualquer liderança, para manter viva a história de quatro jovens que iniciaram, há aproximadamente meio século, uma revolução musical.
Só entende quem faz parte deste não tão seleto grupo, que contra todo tipo de moda ou pragmatismo, soma adeptos e recicla um estudo minucioso sobre as músicas criadas em pouco mais de dez anos pelos quatro rapazes da cidade de Liverpool - apenas sete se considerarmos as datas oficiais entre as gravações de “Please, Please Me” e o lançamento de “Let it Be”, seis míseros anos se considerarmos que “Abbey Road” de 1969 foi o último trabalho gravado em estúdio...
Viu ?
Detalhes que só beatlemaníacos entendem e se regozijam em discutir e comentar, sempre com o mero intuito de falar sobre o assunto. Não existe um ponto de vista à ser provado, uma tese a ser instituída ou um cânone a ser derrubado. São simplesmente atos involuntários, presente no coração de cada fã, que suscitam um grande número de perguntas sem respostas que fazem parte do místico processo de eternizar uma história que merece ser contada.
Qual o melhor disco ? Revolver ? Rubber Soul ? White Álbum ?
Qual a versão mais fiel ? A mono em vinil gravada na Inglaterra dirá o adorador mais xiita...
A melhor música ? Ninguém é louco de sequer tentar responder...
A polêmica de Lennon e Jesus ? Paul morto na década de 60 ? Quem são os rostos que estão na capa de Sgt. Peppers ? Lucy in The Sky With Diamonds é uma referência ao LSD?
Helter Skelter realmente motivou a chacina do maluco Charles Manson ?
John, Paul, George e Ringo criaram uma mitologia e não apenas música genial. Tornaram-se símbolos universais como a palavra “Aleluia”, compreendidos em gestos e significados em qualquer língua ou etnia. Ou você dúvida que exista um fã escondido em Malva, na Letônia ou na China ?
Todos os sotaques já tentaram cantar “Yesterday” mesmo que o mandarim atrapalhe ou o alemão pareça pigarrear enquanto canta.
Sou fã da banda e aos 24 anos, faço parte de uma das gerações que “surgiram” sem nenhum contato direto com o fenômeno em si, mas que pegaram a ressaca da industria cultural que revolucionou a década de 60. Durante a faculdade me impressionei ao levantar alguns dados para um trabalho acadêmico. Foram pouco mais de quatrocentas páginas resumindo um pouco da trajetória do grupo, quatro apenas enumerando as inovações introduzidas pelos Beatles para a música.
Numa conta simples foram citadas 120 coisas que eles fizeram antes de todo mundo. Do primeiro “clipe” musical ao primeiro disco sem o nome da banda e sem o nome do álbum em sua capa(em “Abbey Road”).
Caso você não seja um fã, nunca dê à um Beatlemaníaco a chance de falar sobre o assunto, assim como nas religiões mais radicais tentaremos de qualquer forma conseguir mais “adeptos” para nossa causa. No mínimo não terminaremos a conversa sem a promessa sincera de uma audição minuciosa de toda a discografia da banda.
E tudo isso foi só para falar que a dominação mundial não parou por aqui. As diversas “células” espalhadas por todo o planeta estão alvoroçadas preparando mais um “ressurgimento” que provavelmente resultará em mais uma geração de fãs nascendo do nada.
No último dia 9 deste mês foi oficialmente relançada no planeta toda a obra dos Beatles em edição original e remasterizada, em cd´s com encartes especiais vendidos separadamente ou em Box. Existe também uma versão em mono de cada álbum para os mais ortodoxos. No “pacote” saiu uma versão exclusiva do game “Rock Band” da Harmonix apenas com canções dos Beatles, para o papai olhar orgulhoso a criançada fazendo barulho na sala de estar.
As previsões é de que em breve o topo das paradas sejam deles de novo, com recordes de venda em um formato quase falido como cd. Em pouco tempo teremos também, segundo especulações do alto escalão de nossa seita de fãs, a opção de downloads legalizados de todas as versões de tudo o que existe gravado da banda, do espirro do Lennon ao “I, ve got blisters in my fingers” de Ringo em “Helter Skelter”.
Como não podia deixar de ser o relançamento nem aconteceu direito e já se tornou lendário. Especulações, profecias, já marcavam a data deste evento mesmo antes de ele acontecer. Mais uma discussão para as rodas animadas no pub mais próximo.
Olha a data 9/9/9.
Como na canção Revolution Number 9!
Number 9 ! Number 9 ! Number 9!...
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Por Armando Teixeira Junior
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