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12/10/2009 - 12:00
Cirurgia Plástica 6

Continuando a cirurgia... como assunto!

O que vimos até agora? Vimos que a beleza, a aparência, é muito importante para o ser humano. Que as pessoas buscam e sentem necessidade é de ficar parecidas, iguais aos outros, agradáveis, e com isso serem melhor aceitas. O que não é pedir muito. E a cirurgia plástica é um bom recurso para as pessoas harmonizarem sua aparência física com o personagem que sentem ser. Para sua cara ficar mais parecida com seu estilo. E se existe um recurso prá ajudar, porque não usar? Logo, não é bobagem, é coisa legal e bastante séria. Mas... a coisa não é tão simples assim... nunca é.

Há dois perigos, duas coisas que precisam ser observadas com cuidado pela pessoa que está pensando no assunto seriamente.

O primeiro ponto é dar excessivo valor à opinião dos outros. Ser aceito pelo grupo e obter uma posição de destaque é um bom motivo. Ninguém vive sozinho e isolado. E a nossa aparência pode complicar ou ajudar nisso. Mas, não vamos simplificar. Ser aceito, querido e apreciado não é apenas uma questão de aparência. Ser aceito também é uma questão de quem nós somos. Ser aceito exige uma dose de energia ao nos colocarmos, não aceitarmos com tanta facilidade o lugar que nos reservam. Não aceitar também tão facilmente os critérios com que nos julgam. Podemos por isso em questão de roupas: muita gente precisa estar vestido de certa maneira para poder se sentir bem, pois aceita ser julgada pelas suas roupas. Outros já se vestem como gostam ou como podem, sem dar a mínima importância ao que os outros estão pensando disso. Simplesmente não permitem que os outros a rejeitem assim e se colocam com certa energia. É isso que faz com que pessoas lancem estilos novos e diferentes. Por exemplo, os Rolling Stones não preenchem nenhum critério de coisa alguma para serem aceitos, apesar disso... a banda levou US$ 105 milhões em 2003! Você pode dizer que eles fazem sucesso porque são ricos, mas, a verdade é que não eram... ficaram ricos justamente por terem energia de se apresentar como eram mesmo. Se você se coloca com energia, acreditando em você mesmo, já é mais de 50% do caminho andado para ser aceito e querido. Você não está na moda, lance a moda... Isso leva ao segundo ponto.

Muitas pessoas acabam supervalorizando pequenos defeitos físicos e acabam depositando neles dificuldades de outras áreas. Assim, a pessoa muito tímida pode por a “culpa” da sua timidez no narigão, por exemplo.

Vamos imaginar o rapaz tímido querendo se aproximar de uma garota que ele quer impressionar, que ele está interessado. Se sente pouco... Não se acha interessante. Chega na hora, não consegue criar um clima legal e realmente não dá certo, não a impressiona. Ele se sente desajeitado, mas não sabe bem porque. Olha no espelho e vê um nariz desajeitado... logo... É ELE! O NARIZ!! Pronto, põe a culpa no nariz: “se ao menos eu não tivesse um nariz como esse...” O nariz fica sendo a fonte do mal estar. Mas, o nariz grande não impediu que Bárbara Streisand ou Juca Chaves fossem quem fossem. Pelo contrário, se tornaram marca registrada dos artistas. Fonte do sucesso, ao invés de empecilho. É grande o número de defeitos charmosos...

Precisamos, então, distinguir com cuidado o que está nos incomodando em nós mesmos. O caso grave, a deficiência física acentuada, é fácil notar que está atrapalhando. Mas, é grande também o número de detalhes físicos que levam a culpa de outras deficiências nossas, principalmente a falta de amor próprio. A pessoa comum que quer melhorar, harmonizar mais sua aparência, pode ganhar muito se parar para pensar o que está atrás de sua vontade de mudar a cara. Será que é mesmo a cara que ela quer mudar? Mas, isso já é assunto prá próxima...

O autor é
Psicólogo clínico – membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Mestre em Neurociências – USP
e-mail jpcorreialima@gmail.com

Por João Paulo Correia Lima
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Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.