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Bom, começamos está série de artigos sobre cirurgia plástica dizendo algumas coisas que, acredito, sejam diferentes da idéia geral:
1.- a beleza, o lado estético das coisas é importante para o ser humano. Toda civilização, em todas as épocas se preocuparam com a beleza, até sacrificaram milhares de vidas só para construir prédios bonitos, com as pirâmides, a muralha da China, etc. Se é assim com prédios e construções, porque seria com os nossos corpos, com a nossa cara?
2.- por outro lado, em geral, as pessoas não procuram a cirurgia plástica para serem lindas ou mais bonitas que os outros, mas para se sentirem suficientemente agradáveis, menos diferentes, mais iguais do que os outros, para serem aceitas com mais facilidade. Quem deseja tanto assim ficar mais bonito que os outros ou é modelo profissional e depende disso para viver – o mais comum – ou tem algum outro tipo de problema, que se expressa pela vontade de ser mais e mais do que os outros.
3.- em geral, a cirurgia plástica serve para harmonizar a aparência da pessoa com aquilo que ela sente que é, pra ter a cara do seu estilo de vida, vamos dizer. É um recurso para aprimorar a imagem, reforçar ou melhorar o conceito íntimo de sua identidade pessoal.
Tudo isso é geral, diferente da pessoa que faz ou necessita fazer uma cirurgia plástica reparadora. Embora seja fácil perceber, os motivos são sempre os mesmos: não há diferença entre quem ficou com a face marcada após um acidente ou quem quer fazer uma lipoaspiração para tirar as “gordurinhas” de após uma gravidez. Pode-se até dizer que as razões do acidentado são mais fortes, mas são do mesmo tipo: ambos querem ficar razoavelmente “bem”, não ficar se sentindo diferente dos demais, ambos querem “dar um tapa” na imagem. Um com mais sofrimento, outro com menos, mas o mesmo.
Quer dizer, a cirurgia plástica é um recurso. Existe, tem boa qualidade e está disponível a preços mais ou menos acessíveis. Mas, há uma série de fantasias sobre os seus “poderes”. Quer dizer, muita gente acha que os resultados da plástica serão imensos, sensacionais, incríveis, estupendos!!!!! A pessoas pensa que vai fazer plástica e vai remoçar 40 anos, ou vai ficar linda e sedutora ou másculo e irresistível. Ninguém rejuvenesce 40 anos, nem 20... ninguém fica linda e sedutora só porque corrigiu um pouco o nariz ou aumentou um pouco os seios. Ninguém fica másculo e irresistível porque está com um nariz mais bonito. Essas coisas são qualidades que dependem muito de um conjunto, uma maneira de ser da pessoa.
É preciso tomar cuidado com essas super expectativas. Por isso, é essencial que a pessoa faça perguntas francas e sinceras ao médico e peça para que lhe explique com detalhes o que será feito e os resultados que serão obtidos. E é altamente recomendável que haja consultas com um psicólogo para se discutir essas expectativas, ou super-expectativas, perigosas sobre uma coisa tão delicada como nossa imagem. Especial cuidado com isso, porque podemos deslocar vários problemas para alguma parte do nosso corpo. Como o tímido que acha que a razão de sua timidez é o narigão, como a moça que acha que não é atraente porque é gordinha ou a esposa que acha que poderá salvar seu casamento se ficar mais bonita. Aí, vem a pergunta: mudar o que, para que? Será que a razão ou motivo pelo qual você quer mudar isso que você quer mudar é essa mesmo que você diz? Ou está querendo mudar alguma outra coisa? Será que a plástica é a melhor maneira de você lidar com o que está te incomodando? Pode ser que sim... pode ser que não... pode ser questão de dar uma arrumadinha em alguma coisa do seu corpo que vai lhe deixar mais feliz, mas pode ser que esteja querendo mudar sua maneira de ser...
O autor é Psicólogo clínico – membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Mestre em Neurociências – USP
e-mail jpcorreialima@gmail.com
Por João Paulo Correia Lima