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Parte I
A palavra AFETO, vem do latim AFFECTU.
Afeto vem a ser um sentimento de inclinação para alguém, uma amizade, uma simpatia, uma paixão.
Em Psicologia afeto vem a ser um estado sentimental que se caracteriza, por uma parte, pela inervação física perceptível e, por outra parte, por uma perturbação peculiar do processo representativo.
C.G.Jung usou em seus estudos, o termo afeto (qualquer espécie de sentimento, que se associa a uma idéia ou a várias idéias) como sendo sinônimo de emoção (emoção afetiva) e fez uma distinção entre sentimento (por exemplo: sentimento de certeza, sentimento de probabilidade) e afeto.
Para ele o sentimento só se converte em afeto quando adquire certa intensidade,provocando reações perceptíveis no indivíduo
Dentro da Psicanálise, que buscou na terminologia da psicologia alemã-Affekt , o termo afeto seria a expressão de qualquer estado afetivo, penoso ou agradável que se manifesta sob a forma de uma descarga ou não.
Para S.Freud afeto é a mais pura expressão da quantidade de energia pulsional frente às suas variações, ou seja, podem-se notar explosões afetivas de alegria e podem-se notar diminutas explosões de alegria.
Existem, portanto três mecanismos do afeto canalizado inadequadamente, como sejam:
1. Afetos que convergem para certos objetos (neuroses).A Carmela sempre fica sem voz, rouca, toda a vez que se encontra com a Lisa que é super querida pelos amigos comuns as duas.
2. Afetos que se deslocam (obsessões). Você viu só a Clara, ela não ama o Julio, mas ela é fissurada nele, ela é obsessiva para com a relação.
3) a transformação do afeto (angustias melancolias).
Parte II
Há, contudo estudiosos no assunto que enfocam o aspecto tão singular do transtorno afetivo, onde se cria um abismo entre o indivíduo e estímulos externos . Você viu só, a Ana nem liga mais para as nossas brincadeiras, ela está apática, está fria. Nossa , a Paula nem chorou a morte do seu cãozinho que ela dizia adorar tanto, parece que ela está com o coração de pedra.
A Mônica parece que está insensível, ela não liga mais para nada, nem chora.
É, portanto interessante que se observe no dia-a-dia este estado de expressão de sentimentos, quer agradáveis, quer desagradáveis, mas que se pronunciem no indivíduo em variadas intensidades.Chore, se emocione, dê risadas, seja solidário, etc.
Existem sem dúvida nenhuma, características já bem acentuadas de certa ambivalência patológica em casos clínicos distintos. Por exemplo: você não vai rir expressar-se com alegria frente a uma notícia triste; e não vai ficar triste, demonstrando certo sentimento melancólico, por exemplo, numa bela festividade, numa comemoração, num casamento.
O primeiro amor da criança é sem dúvida, sua mãe, e alguns estudiosos no assunto sobre o afeto, afirmam que o amor, o afeto da criança é aprendido através da associação do rosto, corpo e outras características físicas da mãe com o alívio de tensões biológicas internas, como fome e sede.
Já para alguns psicanalistas tradicionais, o papel de segurar e mamar ao seio materno configura a base do desenvolvimento afetivo.
Em meio a tantos crimes hediondos e à banalização da vida, deve-se atentar para o cuidado de nossas expressões afetivas tão importantes para a nossa saúde mental.
O Talmude (livro das leis judaicas) ensina que não vemos as coisas como são, mas também como nós somos.
Freud, nos seus escritos metapsicológicos, faz nitidamente uma distinção entre Affekt e Affektbetrag, ou seja, afeto e um quantum de afeto
E sendo afeto a manifestação subjetiva de certa energia pulsional, ao passo que um quantum de afeto se caracteriza pelo processo energético em si.
A Psicoterapia vem a campo num verdadeiro exercício mental frente às distorções afetivas nos dias de hoje, e proporciona um melhor entendimento individual, um mergulho no adormecido.
“E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso eu te dou”- (Atos,3:6)
Assim é que, o afeto que se oferece é o tesouro mais precioso e conciso, numa relação dentro de uma sociedade.
Por Suely Bischoff Machado de Oliveira