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Ao encerrar a leitura de “O Símbolo Perdido” cheguei a uma conclusão: Dan Brown é um cara esperto.
Sua receita de fundir mistérios antigos, polêmicas religiosas, suspense e ação inauguraram uma nova forma de literatura que vende milhões de exemplares para pessoas que muitas vezes nem gostam de ler.
Perceba, desde o sucesso de “O Código da Vinci” o conceito de ler um livro tem se tornado, para muitas pessoas, uma “onda” de ler o que todo mundo lê para poder depois discutir com a vizinha, com os amigos ou com o vigário da paróquia a última polêmica. Fico um pouco abismado como essa reação tão superficial tenha surgido de um hábito tão instrutivo quanto ler.
Não tão antigamente os best-sellers geravam sim críticas e opiniões controversas, mas quase sempre baseadas no conteúdo em si e não no “achismo” do clubinho que quer demonizar uns e canonizar outros.
Percebi então quando há alguns meses atrás li uma resenha sobre o tema do novo livro de Dan Brown que o circo se armava antes mesmo do espetáculo chegar à cidade. Uma promessa de polêmica já embalava o vindouro “O Símbolo Perdido” que falaria sobre as raízes históricas da sociedade dos Estados Unidos e descreveria muito dos ritos secretos da maçonaria - que sempre esteve no imaginário popular de uma forma fantasiosa e bruxuleante.
Ao ler “Anjos e Demônios” e “O Código Da Vinci” percebi que a narrativa que permeia a história de assassinatos, intrigas e ameaças é um estudo cuidadoso e cheio de esmeros de um escritor inteligente e talentoso. Mas antes de tudo Brown é esperto. Ele foi capaz de prever que sem a polêmica seu longo trabalho de historiador e escritor se perderia em um canto empoeirado das livrarias fadado ao fracasso comercial.
E sinceramente? A polêmica nem é tudo isso. Sou católico e apesar da ousadia de algumas suposições, não me senti ofendido em momento algum de nenhuma das três aventuras do simbologista Robert Langdon.
O apelo não está na literatura e sim na curiosidade. Todo mundo subitamente tem que ler aquele livro que fala sobre um suposto assassinato no vaticano, sobre Da Vinci, Maria Madalena e Jesus e sobre os ritos maçônicos que envolvem caveiras e facas afiadas pela simples e mórbida necessidade de saber, comentar e especular. Igualzinho à Dona Maroca que fofoca na janela e o Zezinho que adora ver um monte de gente confinada no BBB. O prazer de ler um bom livro se tornou só um efeito colateral.
Quando li as últimas linhas de “O Símbolo Perdido” me senti um tanto decepcionado porque achei que a fórmula mágica de Brown já está perdendo um pouco da graça. Sinceramente não parava de imaginar como alguns trechos iriam chocar esse ou aquele e tive a clara impressão que esse intuito também fez parte dos objetivos do autor.
A narrativa parece mais lenta, as personagens se deslocam menos e a ação é claramente menos empolgante que nos livros anteriores. Em compensação expressões, símbolos e mais uma infinidade de ritos de iniciação maçônicos são descritos minuciosamente, muitas vezes sem necessidade, parecendo estar lá por uma obrigação contratual. Nas primeiras linhas um iniciado bebe vinho em um crânio humano para delírio do editor chefe - mais um best-seller à caminho.
No final percebi que havia lido quase 500 páginas em pouco mais de uma semana e que apesar dos pesares tinha passado bons momentos. Gosto muito da literatura de Dan Brown e torço sinceramente para que, em breve, com a independência financeira conquistada, ele possa criar uma nova aventura para Langdon sem precisar de polêmicas forçosas para embalar as vendas.
Aos fofoqueiros de plantão parem de crucificar o autor. A novela das oito se revela bem mais ofensiva à valores morais e religiosos do que os livros de Brown, uma vez que ambas são ficções e devem ser tratadas como tal.
Propositalmente encerrei esse texto com 13 parágrafos e 3333 caracteres contados sem espaços, um duplo 33, números que permeiam a simbologia maçônica e da mais nova obra de Brown. Como ninguém é livre de curiosidade leia “O Símbolo Perdido”.