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Na sexta, 19 de fevereiro de 2010, os responsáveis pelos estudos da implantação das “Unidades de Conservação de Proteção Integral”, declaradas no decreto de Limitação Administrativa Provisória, publicado no dia 4 de setembro de 2009, se reuniram com proprietários e interessados em Bom Jesus dos Perdões, com plateia lotada, pessoas de Guarulhos, Atibaia, Santa Isabel, e Nazaré Paulista, além dos locais.
Com a presença dos técnicos da Fundação Florestal, Luiz Fernando Feijó e José Wagner do Amaral Neto e do Instituto Florestal, Rodrigo Antonio Braga Moraes Victor, órgãos estaduais responsáveis pela realização do estudo, do prefeito Carlos Riginik Júnior, dos presidentes das Câmaras de Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Paulista, Ricardo Bruno e Luiz Loreto, do deputado estadual José Bittencourt, dos vereadores Rosa Maria e Antonio Mia, de Nazaré Paulista e Luis Gonzaga Bueno de Bom Jesus dos Perdões.
Na oportunidade foram apresentados os estudos e discutido o trabalho, a princípio foram respondidas as questões previamente enviadas e após, as questões feitas na hora.
Os estudos, que até o fim do prazo de sete meses do decreto, ou seja, até 4 de abril de 2010, apresentarão o relatório com as características geográficas das Unidades de Conservação, que ainda serão discutidas nas quatro audiências públicas que, por lei, terão que ser realizadas, nos seguintes dias e locais:
- 11 de março de 2010, às 17h, na Universidade de Guarulhos – Praça Teresa Cristina, 01, Prédio F, Centro, Guarulhos (SP);
- 12 de março de 2010, às 17h, no Lions Clube de Santa Isabel - Rua 15 de Novembro, s/n°, Centro, Santa Isabel (SP);
- 15 de março de 2010, às 17h, no Centro de Convenção - Alameda Lucas Nogueira Garcez, 511, Parque das Águas, Centro, Atibaia (SP);
- 16 de março e 2010, às 17h, na Câmara Municipal de Mairiporã – Alameda Tibiriçá, 340, Centro, Mairiporã (SP).
- foram apresentados, ficando claro que:
Os estudos, até o momento, apontam para um tipo de Unidade de Conservação em que não será permitida a presença humana permanente, assim, será indicado ao Governo a desapropriação de todas as propriedades dentro dos limites estabelecidos ao fim do estudo. Isso porque há a possibilidade de alguma flexibilização dos limites como já houve, em que se diminuiu a área abrangida dentro das divisas de Bom Jesus dos Perdões, que a princípio teria 56,37% e que baixou para pouco mais de 40%.
Se por um lado os técnicos consideram que a área tem que ter retirada toda a sua população, por assim acharem que se protege melhor, por outro, apareceram relatos da experiência em outros parques de “proteção integral”, em que há invasões, favelamento, e o uso para desmanches e outra ações não menos preocupantes.
Os depoimentos dos presentes, ressaltando o fato de que preservaram a área em que moram e que por isso estão sendo “premiados” com expulsão, os impactos na vida de pessoas que nasceram, vivem, investem dinheiro e amor nas propriedades, estão levando os atingidos a buscarem qualquer alternativa de mudança no projeto, o que é contestado pelos técnicos, que consideram que essa discussão começou muito tarde. Que deveria ter sido realizada no início do processo. Mas o apelo será ao Governador e principalmente ao secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano, que tem o pé na roça e vivência para se sensibilizar com situação dos antigos.
Concordamos com essa afirmação em partes, pois até mesmo hoje, apesar de toda a movimentação em torno do assunto, tem pessoas que não acreditam que o projeto vai ser efetivado – “vai tudo acabar em pizza...” – comentam alguns.
O Decreto que foi divulgado em setembro do ano passado, através de reportagens que foram publicadas na imprensa e replicada no meu blog no dia 22 de setembro:
http://amauri2.blog.terra.com.br/2009/09/22/congelamento-da-cantareira/ , baseada em matéria veiculada no site da FAPESP, por sua vez baseado em matéria da Folha de São Paulo de 08/o9/2009, http://www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/31766/sao-paulo-congela-200-ibirapueras/, se chegou às Prefeituras estas não fizeram com que chegassem aos proprietários, que vivem, como todos sabemos, afastados de notícias ruins.
Cedo ou tarde, o Grupo que organiza o movimento está articulando a melhor forma de sensibilizar o Governo de que a expulsão compulsória não é a melhor solução, e estão buscando alternativas que ofereçam menor impacto social e melhor proteção para a área em questão.
Na terça-feira, 23 de fevereiro, haverá uma reunião da Agência Unicidades, em que as alternativas estarão sendo discutidas, marcada para as 16 horas no Fórum da Cidadania, antigo Fórum de Atibaia.
Vários depoimentos mostraram aos técnicos do governo, que estão mexendo com vidas humanas, que estarão ajudando a praticar o êxodo rural, e destinando as pessoas acostumadas com o pé na roça, a lotes de 250 metros quadrados na cidade, conforme se pronunciou o presidente da Câmara de Nazaré Paulista, Luiz Loreto, ou tirando os jovens do sítio, onde crescem saudáveis, para colocá-los no turbilhão da droga e da violência, como disse a menina de quinze anos.
O coronel Oscar foi feliz quando ao final, tomou a palavra e apelou para os técnicos relatarem que a retirada das pessoas do lugar não é solução para a preservação o depoimento emocionado de André Rizzo, falando sobre o sentimento dos que terão que ir embora, assim como dos moradores presentes, culminando com a palavra do Padre Tarcísio Spirândio, começando com o tema da Campanha da Fraternidade: "Vocês não podem servir a Deus a ao dinheiro...", ressaltando o fato das cidades estarem unidas para a discussão de assunto que vai trazer impactos sociais importantes.
Ao final o conselho do Padre Spirândio: “...temos muito a conseguir... juntos. Como cidades irmãs...”.