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Pois é amigos “avataristas” nem a tecnologia 3D e 12 anos de esmerada produção foram capazes de triunfar no tapete vermelho do Kodak Theater neste ano de 2010. Para surpresa de muitos e confirmação de poucos, o drama sobre os conflitos no Iraque “Guerra ao Terror” saiu vencedor em uma noite que avançou para a madrugada do dia internacional da mulher enquanto a diretora Kathryn Bigelow se tornava a primeira a faturar
os principais Oscars da noite.
Senti um pingo de justiça tardia e complacência com a temática do filme vencedor, que afinal de contas, revisita uma das principais feridas ainda abertas do poderoso gigante norte americano - e deve fazer muito mais sentido para eles do que para nós; por outro lado acompanhei com um sorrisinho de canto o chororô injustificado de quem achou um absurdo e uma forçação de barra a derrota dos azuizinhos para os soldadinhos.
Ouvi falarem de cavalos de pijama, as populares zebras, como se os prêmios deste ano tivessem sido distribuídos a esmo para contrariar a grande industria do cinema. Ouvi chamarem os críticos da academia de ultrapassados e retrógrados, de não ousarem na premiação... Como assim? Se praticamente Davi triunfou contra Golias com uma pedrada bem posta e certeira no meio da testa do gigante???
Dá mesma forma que ouvi as mesmas críticas com os argumentos avessos...
Quinze minutos no google e aparecem milhares de comentários como os citados acima, alguns de pessoas muito inteligentes, críticos respeitados que haviam apostado suas fichas na capacidade incontestável de James Cameron em criar um grande espetáculo. Afinal se "Titanic" ganhou 11 por que não "Avatar"?
Hoje com a vantagem de falar depois dos fatos, (mesmo porque tentei falar antes e fui tomado por parvo) vejo o efeito em dominó que uma ótima campanha de marketing seguida por um surto de euforia de pessoas competentes pode causar na opinião geral das pessoas.
Vejam "A Roupa Nova do Rei", do dinamarquês Hans Christian Andersen uma mente única capaz de traduzir em pequenas parábolas lições sobre o comportamento humano que muitas vezes de forma ingênua são tomadas como meras histórias de criança.
Na parábola um rei, bastante vaidoso, cai na conversa de dois vigaristas que dizem possuir a habilidade de tecer um traje único e valioso, de beleza inigualável e com uma característica peculiar - só os inteligentes conseguiriam enxergar o tecido, os idiotas nada viam. Conversa vai, conversa vêm e o Rei e toda a sua corte fingiram que estavam vendo a roupa, somente para não serem tomados como imbecis.
No reino de cá, após uma estrondosa campanha publicitária e promessas de oferecer algo inovador vindo da tecnologia em 3D (e de certa forma cumpridas), "Avatar" desfilava arrancando, no início, aplausos efusivos de público e crítica.
Passada a euforia, ninguém mais queria admitir que o filme, apesar de ser ótimo, possuía algumas falhas claras, como o roteiro meia boca que logo foi justificado com um blábláblá de fundamentação antropológica-social e vazia capaz de ser feita com praticamente qualquer filme. A maioria ficou com medo de defender aquela coceirinha que no fundo falava que apesar de tudo faltava alguma coisa e preferiu exaltar e exacerbar a galera de Pandora. Assim todo mundo era esperto e todo mundo era sabido; não havia briga.
Só que o rei estava peladão.
Os críticos da Academia viram, perceberam as falhas e premiaram de forma justa o principal concorrente.
E quem entende um pouquinho e busca informações atualizadas sobre cinema sabe que não havia cavalinho de pijamas no Oscar 2010.
Tanto a diretora Kathryn Bigelow, quanto o longa "Guerra ao Terror", colecionavam no início deste ano prêmios e mais prêmios mostrando um favoritismo ignorado por muitos. Ia enumerar alguns, mas não são poucos: 72 prêmios e mais 46 indicações...
Á favor do filme, a famosa cereja do bolo, a Academia de uns anos para cá adora quebrar paradigmas... e no dia internacional da mulher não seria surpresa se?
Isso mesmo...
Ah! E tem mais um detalhe, o filme é ótimo!
Enfim, nada mais justo do que deixar aqui as homenagens e congratulações às mulheres que abrilhantam nossas vidas e que neste ano foram muitíssimo bem representadas por Kathryn Bigelow, Sandra Bullock e companhia.
O Oscar nunca foi tão feminino, bom para nós, bom para elas.