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01/06/2010 - 07:00
A Diferença entre Lost e O Sexto Sentido
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Cuidado: Os trechos a seguir possuem informações sobre o último episódio da série “Lost”.

Pois é amigos, chegaram ao final, após seis anos, as aventuras dos passageiros do vôo 416 da Oceanic que despencaram na ilha mais misteriosa da televisão. A emissora ABC fez um estardalhaço gigantesco para promover o “season finale” de “Lost” que foi ao ar no domingo dia 23.

Ao todo foram quase cinco horas ininterruptas de programação, com apresentações de entrevistas com o elenco, trechos que resumiam os seis anos da série e making offs; para enfim ir ao ar o episódio “The End”, com mais de duas horas de duração e que prometia dar um rumo e explicar de forma satisfatória o que raios estava acontecendo na ilha – e também fora dela, em uma realidade paralela.

Como o ser humano geralmente acredita na boa índole de seus iguais, eu e mais alguns milhões que assistem a série pelo mundo esperamos até o último episódio pacientemente para só depois cobrar algo dos produtores, Damon Lindelof e Carlton Cuse, que juraram de pés juntos em entrevistas nos últimos meses que o final explicaria muitas coisas, não todas, mas que o encerramento de “Lost” seria enfim um desfecho, com conclusões para todas as personagens e um bom número de respostas.

Bem chegou a hora de cobrar.

E para não dizer que a crítica é meramente destrutiva vou ilustrar este espaço com um exemplo de narrativa perfeita envolvendo mistério, reviravoltas e um final surpreendente.

Em 1999 o filme “O Sexto Sentido” deu uma aula de suspense e se consagrou com público e crítica ao mostrar de forma envolvente a história do psicólogo Malcolm Crowe (Bruce Willis) e do garoto Cole Shear (Haley J. Osment) em momentos que entraram para a história do cinema. A cena da frase : “Eu vejo gente morta”, que no filme causa calafrios, ficou tão famosa que gerou paródias e repetições sucessivas que tornaram o filme um ícone moderno do suspense.

A chave do sucesso do longa é o seu final: a surpreendente seqüência que explica em flash-backs o que está acontecendo é uma aula de ilusionismo que mostra em detalhes o que esteve diante do público o tempo todo e foi escondido.

O domínio de narrativa do diretor M. Night Shayamalan é soberba e em pouco mais de 10 minutos quem assiste ao filme pela primeira vez percebe que todo o resto faz sentido.

Uma experiência cinematográfica ousada e inesquecível, eternizada pela competência da construção de sua narrativa.

Com “Lost” sinceramente esperava que seria assim, mas...

Depois de dezesseis episódios que choveram no molhado, e explicaram muito pouco na sexta temporada, o décimo sétimo fez igualzinho.

Deu vontade de chamar os produtores de canto e perguntar:

- Vocês não têm vergonha? Vocês não disseram que desde o começo sabiam o que estavam fazendo?

Senti-me tão decepcionado com a canalhice das (não) respostas oferecidas que imaginei estar falando de política tamanho o número de mentiras e verdades parciais sem nenhuma base que foram atiradas no vídeo em mais de 120 minutos de picaretagem explícita.

Pior que vai ter gente defendendo! Tem fã que é cego, paciência...

O final foi bonitinho cheio de sorrisos fraternos em uma sala branca, que a maioria diz ser o céu, o paraíso, ou o contraponto da ilha que seria o inferno, o purgatório ou sei lá o quê.

Tudo muito vago, sem nada definitivo, você decide o que entender e provavelmente você estará certo. Acho que nove milhões de teorias se encaixam ao final da série que, certamente, deixou muitos dos fãs com um sorriso bobalhão no rosto dizendo:

- Eu não disse?

Não sei se estavam todos mortos, todos vivos, e sinceramente? Já não importa mais, porque “O que aconteceu, aconteceu”. Simples neh? E não venham me falar que a conversa final entre Jack e o pai explica alguma coisa porque assisti mais de dez vezes e nada ficou claro...

Com certeza tem algum produtor executivo rindo agora com milhões de pessoas debatendo em fóruns e comunidades na Internet o “não-final” de “Lost”. Todos cheios de teorias, cheios de dúvidas e de meias certezas – exatamente como há seis anos atrás.

Depois de seis temporadas, sendo as duas primeiras espetaculares, esperava objetividade e não um final cheio de pontas soltas; azar da história de J.J. Abrahms que podia ter sido “O Sexto Sentido” das séries e não foi.
 

 

Por Armando Teixeira Junior
3 comentários para este artigo
  Lucimara disse em 18/06/2010 23:05
Ainda bem que quando começou a perder o sentido, e começaram a encher linguiça desisti de assistir, me neguei a dar continuidade a uma hitória nada a ver ...uma pena, começou excelentemente, mas os autores se perderam no andar da carruagem, que pelo visto acabou tombando feio no final..rsrs
  Kornelious disse em 02/06/2010 19:45
Os roteiristas estavam blefando, mexeram tanto na história que não tiveram como consertar para que o final fizesse sentido. Os fãs mereciam mais.
  John Locke disse em 02/06/2010 10:34
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
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