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Família Goldschmidt - Travessia Brasil – Europa
Como dissemos na matéria anterior, viajar é uma grande experiência e desta vez a Família Goldschmidt resolveu experimentar algo diferente. Fizemos a travessia do Brasil a Europa em um grande navio e durante o percurso vivemos a experiência de conhecer novas cidades, costumes, sabores e culturas. Depois de contar como é a vida no navio (veja reportagem anterior) e as cidades do Rio de Janeiro e Salvador, seguimos nossa viagem em direção ao continente europeu.
Ilhas Canárias
Nossa travessia do oceano demorou seis dias que passaram rápidos com o vento. Quando demos por nós já estávamos ancorando no arquipélago das Canárias, uma província espanhola a 1.300 km da península Ibérica. O arquipélago foi tomado pela Espanha em 1495 e desde então passaram por estas ilhas vários personagens históricos como o Almirante Nelson, o naturalista Alexander Von Humboldt e Cristovam Colombo em uma de suas viagens ao continente americano. A ilha também ficou conhecida por ser a terra natal do Padre José de Anchieta, um dos personagens de nossa história.
Desembarcamos bem cedo em Santa Cruz de Tenerife, a capital do arquipélago e também a cidade mais populosa. Fizemos um rápido tour pelo centro e saimos para conhecer o interior. Tenerife foi formada pelas erupções do vulcão Teide, um majestoso cone nevado que se eleva a 3.718 metros no centro da ilha. É o ponto alto do arquipélago e de toda Espanha. O Teide não é mais um vulcão ativo, embora a região seja afetada por terremotos com alguma frequência. Sua última erupção foi em 1909. A sua volta encontramos uma paisagem quase marciana, sem vegetação e repleta de rochas coloridas (diversos minérios) e corridas de lava.
Com nosso carro circundamos parte do vulcão até chegar a um local com formações rochosas impressionantes. Ótimas fotos! O frio é que não estava nada bom. Haviamos deixado o porto com 22 graus e agora a temperatura havia baixado para 4 graus. E nós de camiseta.
Outro local que merece ser visitado é Puerto de la Cruz, uma cidade livre de impostos. Aqui, na costa africana, voce encontrará produtos bem mais baratos que na Europa e mesmo que na vizinha cidade de Santa Cruz de Tenerife. Mas atenção, é costume por aqui observar a Siesta, por isto as principais lojas fecham das 13 às 16 hrs. Se voce vier passar somente um dias, sugiro começar cedo.
Ilha da Madeira
Nossa próxima parada foi no arquipélago da Madeira que está sob domínio de Portugal desde 1419, quando foi descoberto por Tristão Vaz, João Zarco e Bartolomeu Perestrelo. Desde então, a ilha passou a ser porto de parada para quase todo o navegador portugues que viajava em direção a África, Índia ou Brasil.
Quando chegaram aqui no seculo XV os primeiros exploradores se deparam com uma ilha desabitada, quase sem praias e coberta por uma espessa floresta Laurissilva. Para desbravar o interior começaram a incendiar a mata nativa para espantar os animais e abrir caminho. Dizem os históriadores que a ilha queimou durante sete anos seguidos. O clima tropical e o solo de origem vulcanico ajudaram a ilha a se recuperar deste desastre ecológico. Hoje, a ilha da Madeira está novamente coberta de verde. Parte por mata nativa, parte por mata recuperada e também milhares de pequenas hortas repletas de verduras, cana de açucar e banana. Como é uma ilha relativamente pequena, as pessoas plantam de tudo em quase todos os lugares. Vimos horta na beirada de precipícios e em cima de penhascos rochosos. Alguns lugares do interior se parecem com o Peru, pois os madeirenses fizeram suas plantações utilizando terraços de pedra, iguais aos usados pelo antigos Incas.
O relevo da ilha bem acentuado. É muito dificil encontrar uma parte plana. Quase toda sua superficie é coberta por montanhas, serras e vales profundos. Para vencer esta geografica dificil, os madeirenses se fizeram valer da engenharia contruindo pontes colossais e uma infinidade de túneis. Segundo me contaram, são mais de 150 túneis, o maior deles com três quilometros de extensão.
O problema do relevo reapareceu quando o governo resolveu ampliar o aeroporto local para receber grandes jatos. Não havia terra suficente, pois a pista terminava em uma grande bahia. Solução? Construir um aeroporto suspenso por pilares. Uma obra impressionante! Por cima uma pista de 3 quilômetros de extensão que suporta até jatos 747. Por baixo, entre as imensas pilastras, um complexo esportivo, estacionamento e marinhas.
Depois de conhecermos o peculiar aeroporto suspenso por pilastras, fomos conhecer a vila de Machico. Nesta pequena baia, desembarcaram no século XV os primeiros portugues e construiram ali um fortim e uma pequena comunidade. Hoje a vila de Machico tem um patrimonio arquitetonico muito bem conservado e ruas simpaticas com restaurantes e cafés.
Seguimos então para o interior, atravessando floresta e montanhas que chegam a 1.500 metros de altura. Lá no alto, fomos apresentados a duas tradições locais. A primeira foi a Poncha, uma bebida típica que lembra um pouco a nossa caipirinha. É feita com aguardente de cana, limão e mel de abelha. É servida em bares e restaurtantes de toda ilha. Na hora do almoço, paramos no Restaurante do Faísca na região do Ribeiro Frio. Lá experimentamos a espetada, um churrasco de Lombo de vaca, feito em espetos de Louro, servido acompanhado de polenta temperada, salada e um pão mouro com azeite e ervas aromáticas. Não deixe de esperimentar o refrigerante local chamado Brisa. Uma delicia!
Depois do fabuloso repasto, votamos para a estrada e retornamos a capital Funchal pelo lado norte. No caminho paramos para conhecer a região do Monte. Esta parte da cidade foi habitata por imigrantes ingleses que iniciaram a mais de um século uma peculiar tradição, descer ao centro de Funchal dentro de cesto, como seu fosse um trenó. O Cesto não tem rodas, apenas duas lâminas de madeira untadas com banha. Dois homens conduzem cada cesto empurrando e freiando quando é necessário. Eles usam roupas tradicionais com chapeus parecidos aos dos antigos estudantes de Cambridge (Inglaterra), além de botas com solas feitas de pneus. O trajeto segue montanha abaixo por vias estreitas e não exclusivas, ou seja, junto com carros, motos e caminhões. Uma verdadeira emoção.
Nossa última parada na ilha foi no Cabo Girão, um promontório rochoso cuja parede vertical tem 580 metros de altura. É a segunda maior falésia do mundo e oferece uma vista da cidade.
Infelizmente chegou a hora de voltarmos para o navio. O tempo foi pouco para conhecer tanta beleza. Creio que percorremos apenas 20% de toda ilha e vimos paisagens maravilhosas. Para quem vier visitar a Ilha da Madeira, recomendo ficar entre 4 a 5 dias. Há muito o que ver e aprender sobre este pedacinho de Portugal no meio no Atlântico.
Agora seguiremos em direção a Lisboa, com uma parada em Cadiz, mas isto é uma história para nosso próximo encontro.
Peter Goldschmidt
Membro da Família Goldschmidt e consultor de turismo da Gold Trip Cosultoria e Viagens: www.familiagold.com.br // www.goldtrip.com.br
* Neste trecho da viagem a Família Goldschmidt teve apoio da seguradora Intermac Assistance e do receptivo Madeira-seekers. Tel: (351) 918 375 661 / 934 026 255
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