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Olá amigos após um longo e tenebroso inverno estamos de volta e com o objetivo de manter atualizações semanais a partir de agosto. Um grande abraço à todos que acompanham este espaço.
Cansado de ler aqui e ali sobre nomes que nunca tinha ouvido cantar decidi dedicar algumas horas de meu tempo a audição de alguns talentos promissores da MPB. Particularmente o que me chamou atenção foi a nova geração feminina que tem despertado elogios rasgados tanto em território nacional quanto em turnês pela Europa e pelos Estados Unidos.
Muitos nomes soaram estranhamente familiares e decidi iniciar as sessões com a seguinte escalação:
Vanessa da Mata
Céu
Verônica Sabino
Ana Cañas
Posteriormente somei ao grupo a cantora Tiê por indicação de um amigo.
Durante as próximas semanas estarei utilizando este espaço para revelar o prisma de cores e harmonias que percebi durante essa jornada musical, muito bem acompanhada diga-se de passagem.
Vanessa da Mata – Sons Diversos Multishow ao Vivo

Um início promissor e confuso. Primeiro cheguei a conclusão que conhecia a cantora por causa do hit pegajoso “Boa Sorte” que ficou gastando nas FMs a algum tempo atrás, mas decidi ignorar esse detalhe e avançar como se estivesse em território totalmente desconhecido.
Duas sensações iniciais me incomodaram na audição de Vanessa da Mata. A primeira era de estar ouvindo Maria Rita nas notas altas e abertas e Marisa Monte nos sussurros. Fechando os olhos tive dificuldade em criar uma identidade imediata para minha nova companheira de audição. A segunda sensação que me incomodou foi a impressão de que apesar das semelhanças algo estava diferente e nenhum adjetivo surgia para classificar, não exatamente a voz, mas a maneira de cantar de Vanessa.
Trabalhando com rádio à quase dois anos aprendi na prática que a expressão facial transparece na sonoridade das palavras e que dizer algo rindo é completamente diferente do que dizer algo de sobrancelhas cerradas de raiva - e no cantar isso é semelhante.
Achei particular a forma imagética com que a voz de Vanessa se projetava. Via claramente seus gestos, sorrisos, caras e bocas que provavelmente dirigia ao seu público, sem nunca ter visto uma apresentação dela nos palcos. O primeiro adjetivo que me surgiu na cabeça foi vermelho. Sem saber tinha criado o padrão para analisar as próximas cantoras. Ao meu ver as cores dizem muito sem a necessidade exata de uma definição. O vermelho é a cor da fúria, da paixão, do calor, das sensações e energias sexuais, do ímpeto. Talvez a única cor “quente” na real definição do termo. Depois desse rompante imagético os adjetivos começaram a surgir.
Vanessa canta de forma sensual, latina, como se as palavras escorregassem até a ponta da língua antes de serem arremessadas ao ar. Não vi originalidade no repertório, mas pequenas pérolas que brilham pela interpretação apaixonada de Vanessa. “Pirraça”, “Ai, ai, ai”, e “Fugiu com a novela” são bons momentos.
Gostei particularmente das versões para “História de uma Gata” e para o baiano “Não Me Deixe Só”. “As Rosas Não Falam” de Noel também vale nota apesar do desgaste natural da música revisitada por quase todo mundo. Vanessa é vermelho, às vezes um jantar romântico no Panamá, outras um alaranjado pôr-do-sol, não exatamente um rompante furioso de um incêndio, mas um calorzinho vindo daquela fogueira da beira do mar que tinge de tons vermelhos a água salgada.
De repente após certo tempo, lembrei que não gosto tanto assim de praia.