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Vitiligo ou Vitiligem (do latim vitiligine ou vitiligo)
Dentro do campo da psicodermatologia, encontramos o VITILIGO, que, segundo uma descrição classificatória, o coloca dentro das desordens psiquiátricas secundárias, como sendo uma descoloração da pele em certas áreas do corpo humano
É considerada uma patologia de despigmentação, onde manchas brancas e leitosas, na pele, e em especial nos pés, mãos, órgãos genitais, cotovelos, joelhos e face, se fazem notar normalmente bilateralmente, mas também isoladamente.
Segundo AZULAY et al (1997), a sua incidência é de 1% da população mundial, afetando todas as raças e ambos os sexos. 50% dos casos têm início entre 10e 30 anos de idade. Cerca de 30% dos pacientes com vitiligo tem história familiar, o que constitui uma hipótese do fator hereditário bastante razoável.
Pode ocorrer também uma despigmentação de pêlos, que passam a ter uma coloração branca.
As manchas do vitiligo são decorrentes da ausência das células responsáveis pela pigmentação que dá cor à pele, ou seja, os melanócitos que secretam a melanina.
A doença não apresenta dor física orgânica, porém apresenta um prejuízo na estética do indivíduo, lhe causando conflitos bastante acentuados.
A origem do vitiligo ainda é desconhecida, e alguns pesquisadores já tentaram relacioná-la a problemas endócrinos, imunológicos e, sobretudo emocionais, e estes como conseqüência de, e não como a causa de.Porém há muitas controvérsias.
A sociedade como um todo, certamente desfere golpes muito agressivos e discriminatórios frente a uma pessoa com vitiligo, o que vem a acentuar ainda mais, a sua baixa autoestima estética, já bastante comprometida.
O vitiligo apresenta um curso crônico, isto é, progressivamente ele caminha defraudando ainda mais o corpo do paciente, num lesionar maiores áreas, sem, contudo poder-se prever o tamanho e extensão de tal marca.
Assim, independentemente de haver ou não morbidade nessas manchas patologicamente falando, pode levar a pessoa a um trauma de grandes proporções, uma vez que ela não nasceu despigmentada, mas foi perdendo a sua pigmentação sem poder fazer nada para impedir tal processo.
Contudo há casos em que certas áreas progrediram numa melhora, e ao mesmo tempo novas manchas emergiram em outras partes do corpo.
O vitiligo acima de tudo pode causar um grande prejuízo psicológico ao indivíduo, pois os seus convívios sociais, familiares e profissionais ficam como que lesionados também, e assim muitos aspectos afetivos, perceptivos e sensitivos decolam para a fuga e escape nas inter-relações pessoais. O vitiligo representa uma manifestação simbólica da relação psique-corpo.
Muitos estudos na PUC do RGS (2004) resultaram em uma repigmentação de até 80% dos casos nos pacientes que se submeteram a um tratamento médico concomitantemente a um tratamento psicológico.
Já houve apenas 20% de repigmentação quando o paciente fez tão somente um tratamento médico. Esse dado demonstra a importância de um trabalho integrado no tratamento das doenças de manifestação psicossomática.
Não é uma doença contagiosa fisicamente, mas angustiosa, e pode contagiar negativamente as relações interpessoais, onde o indivíduo na maior parte dos casos enclausura-se em sua casa, deixando de sair, de passear, etc..., ou mesmo passa a usar roupas bem fechadas e camisas com mangas longas, no intuito de esconder suas manchas.
Segundo MONTAGU (1988) muitas são as funções da pele: base dos receptores sensoriais, o tato, fonte organizadora e processadora de informações, mediadora de sensações, barreira entre organismo e ambiente externo, fonte imunológica de hormônios para a diferenciação de células protetoras, órgão reparador e regenerativo, produtora de queratina, reguladora da temperatura, transpiração, autopurificadora, etc.
Segundo SHIRLEY SCHNAIDER BORELLI o paciente bem amado, bem estimulado, no núcleo familiar e com um suporte psicoterapêutico, responde de forma muito mais abrangente a qualquer tratamento medicamentoso, e seu organismo passa mesmo, a repor partes de seu corpo que foram despigmentadas, obtendo assim uma pigmentação exuberante.
Para ocupar a imaginação fortificada com a consideração de meus males, dediquei-me a pintar um jogo de quadros de gabinete, em que consegui fazer observações, nas quais o capricho e a invenção não têm excessos.
(Francisco de Goya / pintor aragonês espanhol)
Suely Bischoff Machado de Oliveira é psicóloga pela UNESP, crp06/8495, psicanalista pelo NEPP-SP, psico oncologista pelo Hosp.do câncer A.C.Camargo
sbischoffmo@gmail.com
Por Suely Bischoff Machado de Oliveira