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03/02/2011 - 14:00
“Vida e vida com abundância!”

Segunda. Despertamos calados às 6 horas, banho, higiene bucal, bebemos leite de caixinha com chocolate em pó industrializado, comemos pão de bromato com margarina fabricada em pote de plástico com código de barras. Pegamos o lanche do almoço e, em silêncio, saímos.
Entramos, batemos os cartões. Bom dia! Sorriso Colgate. Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Almoçamos em 12 minutos, pão de bromato com apresuntado, maionese, catchup, mostarda, coca-cola. Higiene bucal, sorriso Colgate. Boa tarde! Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Boa noite! Batemos os cartões e, calados, saímos.
Chegamos:
- Oi.
- Oi.
Novela, propaganda, novela, propaganda, novela, jornal, novela, propaganda, novela, propaganda...
Cartão de crédito, cheque especial, telefone celular, financiamento da casa própria, Notebook, Palmtop, móveis novos, geladeiras modernas, motocicletas voadoras, batedeiras, trituradores, liquidificadores...
Terça. Despertamos calados às 6 horas, banho, higiene bucal, bebemos leite de caixinha com chocolate em pó industrializado, comemos pão de bromato com margarina fabricada em pote de plástico com código de barras. Pegamos o lanche do almoço e, em silêncio, saímos.
Entramos, batemos os cartões. Bom dia! Sorriso Colgate. Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Almoçamos em 12 minutos, pão de bromato com salaminho, maionese, catchup, mostarda, coca-cola. Higiene bucal, sorriso Colgate. Boa tarde! Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Boa noite! Batemos os cartões e, calados, saímos.
Chegamos:
- Oi.
- Oi.
Novela, propaganda, novela, propaganda, novela, jornal, novela, propaganda, novela, propaganda...
Microondas, televisão (logo teremos que aumentar a casa para que caiba), mais um novo celular, GPS, computadores, vestidos, camisetas de marcas e perfumes importados...
Quarta. Despertamos calados às 6 horas, banho, higiene bucal, bebemos leite de caixinha com chocolate em pó industrializado, comemos pão de bromato com margarina fabricada em pote de plástico com código de barras. Pegamos o lanche do almoço e, em silêncio, saímos.
Entramos, batemos os cartões. Bom dia! Sorriso Colgate. Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Almoçamos em 12 minutos, pão de bromato com mortadela, maionese, catchup, mostarda, coca-cola. Higiene bucal, sorriso Colgate. Boa tarde! Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Boa noite! Batemos os cartões e, calados, saímos.
Chegamos:
- Oi.
- Oi.
Novela, propaganda, novela, propaganda, novela, jornal, novela, propaganda, novela, propaganda...
Sapatos, tênis (Importados da China), pen drives, câmera digital Tec Pix (Você conhece alguém que a tenha comprado?), impressoras, IPAD, IPOD, MP3, MP4, MP7...
Quinta. Despertamos calados às 6 horas, banho, higiene bucal, bebemos leite de caixinha com chocolate em pó industrializado, comemos pão de bromato com margarina fabricada em pote de plástico com código de barras. Pegamos o lanche do almoço e, em silêncio, saímos.
Entramos, batemos os cartões. Bom dia! Sorriso Colgate. Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Almoçamos em 12 minutos, pão de bromato com queijo, maionese, catchup, mostarda, coca-cola. Higiene bucal, sorriso Colgate. Boa tarde! Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Boa noite! Batemos os cartões e, calados, saímos.
Chegamos:
- Oi.
- Oi.
Novela, propaganda, novela, propaganda, novela, jornal, novela, propaganda, novela, propaganda...
Telefone sem fio, brinquedos eletrônicos, DVDs, bonecas que dizem: “Eu te amo” pois, estamos ocupados calculando os carnês para ver se sobra algum para o financiamento de outro carro zero e o resto da merdalhada toda que for moda. É meu caro, sem isso não vivemos, não respiramos, somos ninguém, ou melhor somos nada: Já nos tornamos coisa no sistema. E não pessoas. Danem-se! Somos bons. Os melhores. Uns paspalhos. Vamos pagar prestações o resto de nossas vidas.
E o carro?
Precisamos do carro. Andamos de carro, ouvimos músicas no carro, vemos filmes (americanos) no carro, comemos no carro, bebemos no carro, trepamos no carro, namoramos no carro, noivamos no carro e amamos no carro.
Sexta. Despertamos calados às 6 horas, banho, higiene bucal, bebemos leite de caixinha com chocolate em pó industrializado, comemos pão de bromato com margarina fabricada em pote de plástico com código de barras. Pegamos o lanche do almoço e, em silêncio, saímos.
Entramos, batemos os cartões. Bom dia! Sorriso Colgate. Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Almoçamos em 12 minutos, pão de bromato com salsicha de latinha, maionese, catchup, mostarda, coca-cola. Higiene bucal, sorriso Colgate. Boa tarde! Em pé: carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos, carimbamos, assinamos... Boa noite! Batemos os cartões e, calados, saímos.
- Chegamos:
- Oi amor.
- Ah? Tudo bem???
- Sim.
- Que dia é hoje?
- Sexta! Ah! Que ótimo, dia de conversar, distrair um pouco.
- Vamos sair?
- Sim. Onde?
- Não sei. Mas não se preocupe. Vivemos em Atibaia a “feliz cidade”. Temos varias opções, vejamos:
Barzinhos, igrejinhas, barzinhos, igrejinhas, barzinhos, igrejinhas, barzinhos, igrejinhas, barzinhos, igrejinhas, barzinhos, igrejinhas: “Vida e vida com abundância!”
É. Aqui na “feliz cidade” ou somos boêmios de sexta-feira e, portanto, maus bebedores, ou pregamos o que não vivemos, fazemos o que não queremos, consumimos o que não precisamos e assimilamos nada do que realmente necessitamos, ou seja, dançamos conforme a música, obedecemos ao ritmo da dança para viver com abundância!
 

Por Douglas Magrini Garrão
7 comentários para este artigo
  CAMILA RITA GALVÃO FERREIRA disse em 12/03/2011 04:34
ah esse sim! esse eu gostei muito! arrebatou, deu ate um incomodo, o que trouxe alivio!!
  João Ricardo disse em 16/02/2011 16:24
Seus textos estão ótimos. Entre em contato comigo, por favor. Abraço.
  Douglas Magrini Garrão disse em 09/02/2011 10:43
Respostas aos comentários: Antes de tudo, devo pedir desculpas pela demora e, agradecer por sua participação. Não sabia como responder os comentários (A informática é um ponto fraco). Comentário do Sr. Diego: A vida é dura, para todos, mas ‘vale à pena’. Inteligente como é não preciso falar o que deve fazer. Boa sorte e obrigado pela sinceridade. Com relação ao seu pedido sobre ‘criticas as igrejas’ já o acatei. Valeu! Comentário do Sr. Anônimo: Gostei de sua participação. Obrigado! Vou procurar ver as coisas por outro ‘ângulo’. Mas dependendo do “grau desse ângulo” corro o risco de cambalear e cair porque sou alcoólatra e vivo cambaleando pelas veredas da vida espero um dia melhorar (sozinho) porque não conto com a tua ajuda. Até! Comentário do Sr. Waylon Smithers: “Contra fatos não há argumentos”. Veja a situação das escolas públicas, da Santa Casa, das praças, do albergue, das ruas e, em enfim, das pessoas que aqui vivem (inclusive você) pois, se fosse da elite se esconderia. “Quem com ironia trata, com ironia será tratado”. Espero que da próxima vez não seja tão irônico. Comentário de Raquel Nascimento Gomes: Valeu, obrigado pela força! Estamos em contato!
  Raquel Nascimento Gomes disse em 07/02/2011 21:24
Há uma frase que me impressiona pela simplicidade e pela audácia: a fantásia é a mordaça da realidade ( MP4 e QUARTETO EM CY). Penso neste trecho de canção e fico a variar minhas ideias. Então, imagino uma sociedade, onde a liberdade não tenha o sentindo da propaganda de um carro, ou de homens tomando cerveja com uma loira esbelta, ou namorados flertando-se por causa de um hauss. Compraram nossos olhos, nossa alma, o nosso destino e a vontade de querer. Não sabemos falar além das coisas, falamos por elas e com elas. E, o relógio faz sentido para medir a quantidade de produtos produzidos para o mercado de trabalho. As vezes, escondo-me entre filmes do Antonioni para a tristeza não ser tão gritante, para que haja em mim qualquer fio de esperança, qualquer respirar que lance minha vida para fora deste cotidiano mediocre: assinamos e carimbamos . Dom Quixote viveria numa sociedade como esta? Vinicius de Morais viveria? Os seres humanos não veredam por entre a magia que existe nos sonhos, não beijam a face do Amor. Somos assim, programações perfeitas. Famílias imitando o comercial dorianas, homens consumindo o seus sonhos na potência de automóveis que só levam ao abandono de si mesmo perante a existência, mulheres entendendo nas novelas o show da vida. Amores perfeitos, porque, evidentemente, os personagens masculinos também o são. Heroínas boazinhas terminam com final feliz, meninas malvadas terminam solitárias, ou mortas e a vida correu, o mundo aconteceu e a globo enriqueceu. Mais uma vez seu texto gerou reflexões e aflições. Guardo eles no peito. Espero em breve poder conversar contigo sobre eles.
  Anderson disse em 07/02/2011 13:45
E criou Deus o homem. E o homem criou o sistema. E o sistema aprisionou o homem, que viveu infeliz para sempre. Pois é necessário manter o sistema, não é mesmo?!! Que se dane os famintos e doentes. Ah! pra que pagar mais que R$ 540,00...Não precisa, não! Vai que sobra dinheiro pra esse povo e eles comecem a comprar livros e serem livres...! Já imaginou o que seria do sistema ?!! E por falar em livro, não precisa melhorar a educação. Tá bom do jeitinho que tá. Nós aqui, da elite, aprovamos tudo que acontece nesse país e queremos que ele jamais se torne uma nação.
  anonimo disse em 07/02/2011 10:55
Deprimido seu texto, mas um alerta aos rotineiros e pacatos na vida. Se olhar a cidade por outro ângulo verá além das Igrejas e bares. É lazer convidar os amigos em casa, e tbm visita-los. Sair pra comer ao invés de beber. Curtir um passeio na praça, no Centro de Convenções. Já dizia um ditado popular se quer badalação, dê uma volta no quarteirão ...
  Diego disse em 03/02/2011 18:29
Entendi o propósito do texto (longo e cansativo). Trabalho em uma repartição pública de São Paulo, sou da área de segurança. Identifiquei-me com o texto acima em vários aspectos. Às vezes me sinto um robô, meus relacionamentos familiares se esfacelaram com o passar do tempo. Vivo contraindo dívidas que me prendem cada vez mais. Nunca fiz uma algo que realmente valesse à pena, ou seja, nunca arrisquei nada, depois que passei nesse concurso estacionei. Já tive algumas oportunidades, mas tenho medo do que é incerto.Gostaria de ter coragem e mudar, mas é difícil, me sinto responsável por todos de minha família. Mas o que mais me impressionou foi a passagem sobre o carro. Não faz um ano, contraí uma dívida muito grande e agora estou realmente enforcado e preso por mais 4 anos porque tenho que pagar as parcelas do carro, sem falar o seguro, manutenção... Bom, tenho dito que é necessário fiscalizar o trabalho dos políticos de Atibaia mas, quiçá, seja mais importante reavaliar meus valores e meus comportamentos. Tem sido muito bom ler os textos deste rapaz, apesar de não concordar muito com as críticas às igrejas. Não que ele esteja errado, pelo contrário, muitas dessas igrejas são manipuladoras e seus membros uns mercenários. Eu mesmo demorei para encontrar uma que me ajudasse. Só digo a você, amigo Douglas, para que não generalize, há boas igrejas apesar de serem “inhas”. De qualquer forma volto lembrá-los que dia 07/02/2011 haverá reunião na câmara dos vereadores de Atibaia às 17 horas. Não podemos deixar de estar lá. Eu vou me esforçar para estar presente. Não me leve a mal Douglas, gosto de seus textos. Você deve ser jovem. Aconselho-te a ser mais moderado em suas críticas contra às igrejas, sobretudo as “inhas”.
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Na sua opinião o prefeito Saulo está fazendo uma boa administração?
sim
não
Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.