O dom de fazer as palavras fotografarem as cenas, ambientes, paisagens... Como seria gostoso essa possibilidade. Assim, sem as imagens, só as palavras combinadas procurando mostrar de um jeito tão sinestésico o que a minha simpática Atibaia. Por que não querida? Sim, querida, agora que estou decidindo o que fazer de minha vida depois do setembro, quando serei aposentado p-o-r -- i-d-a-d-e da UNESP , campus de Bauru. Sim, passou-me como uma existente mosca venenosa picando-me com seus atrozes ferrões. E a vontade de ficar de novo cercado por aquelas montanhas sempre azuis, pela Pedra Grande com suas agudas e misteriosas (de longe)pontas do cocuruto... E pelo outro lado, lá de Bragança, também por out ras mais distantes, mas presentes azuladas montanhas... Do morro do Colégio – hoje tão desfigurado -, do morro da Biquinha, da ex-estrada para o Alvinópolis, tão distante então... Da piscina, hoje transformada em Parque Edmundo Zanoni, da ausência do mato trocado pelo absurdo Elefante Branco... Bom, mas certeza, mesmo é de que meus olhos e meus sentimentos, registraram e formaram qual câmera foto-ou-cinematográfica a memória que me obriga a pôr em forma de escrita tudo que era coisa, enfeite, natureza, gente...
Vêm-me à memória, agora, o Campo do Santo Cruzeiro. Será que alguém ainda se lembra dele? Por um momento com um passe de mágica, tiremos o fórum, a prefeitura, a Câmara Municipal, a escola infantil. Restará um terreno, de terra batida. Em cada lado, do terreno , no sentido horizontal, ali na parte lateral do fórum e lá do outro lado, onde se encaixa hoje a escola infantil, havia dois postes unidos por um travessão, que compunham as traves do Campo do Santo Cruzeiro. Havia riscas da cal no chão? Não, que eu me recorde. Todas as tardes, de então, quem não tinha nada para fazer ou tinha, mas teimava em achar que não tinha, estava ali para jogar o futebol ou para assistir ao futebol. Não havia off-side, hoje chamado de impedimento, o pênalti era marcado se a falta(se é que s e marcava falta)ocorresse a pelo menos 11 jardas do gol. O meio de campo se sabia a olhômetro. Não havia juiz, assistentes, representantes, o diabo a quatro. Valia a intenção, a intuição, a concórdia. Nos domingos, de manhã, o pessoal não trabalhava, os admiradores daqueles jogos do Santo Cruzeiro iam em número bem maior. E lá estavam aqueles que saíam da missa diretamente para o Santo Cruzeiro. Alguns, de chapéu e tudo, pois o sol atravessava os eucaliptos que ficavam na parte de baixo. Desfilaram por ali jogadores que depois brilhaaram nos times principais de Atibaia: O Zeca e o Robertinho do Prof. Constantino, o Tião Lázaro, o Ninha , meu pai (o Quitá, meu tio, o Jaime, o Walter Guaraná e o irmão, hoje o engenheiro agrônomo Wiliam, o Nilson Araújo, o goleiro Dudu, o Salim Tanus, e tantos outros.
Mas de tempos em tempos, os jogos eram suspensos, pois ali no Santo Cruzeiro eram armados os circos e os parquinhos de diversões, que, naquela época percorriam as cidades do interior. Então a atenção dos espectadores era desviada para o chamado “Campinho da Prefeitura”, um buraco enorme, onde hoje, salvo engano, ficam as quadras de tênis do São João Futebol Clube. Mas era um buraco bem aplanado, e que dava para abrigar, no início dois gols feitos de pedras bem grandes e que, depois, foram substituídas por traves de troncos de eucaliptos. O campinho tinha seu, digamos, donos. Eram aqueles que cuidavam de colocar as traves e que, por uma de usucapião ou direitos adquiridos e mantidos pela força e pelo poder. Esses donos, eram o Ninha, que depois foi ser goleiro do segundo time do São João e terminou a carreira como volante; e o conhecido João Carapiá. Vai enfrentar o João Carapiá na briga e na disputa de bola. O Campinho da prefeitura também recebia platéia, nas tardes, e nos domingos. Nessas horas, o Campinho era intocável. Agora, durante a semana, de manhã e ou à tarde, o pessoal do Colégio Major, principalmente no período de férias jogava o tempo todo. Aí vinha o time do Marcos Propheta, o Locão(onde estará),time em que chutava a bola, o Dorival, o Totonho, o Rei, o Chi co Colaço, o Hilton e outros presentes na memória . Uma coisa bem gostosa no Campinho da Prefeitura eram as goiabas. No intervalo(quando um time chegava no quinto gol no “cinco-vira- dez -acaba”, todos invadiam o matagal que ficava no lado de baixo, em busca das gostosas goiabas ali pegas do pé. E o pensamento procura lá no fundo memória algo mais para atualizar aquela de-li-ci-o-sa realidade. Mas o espaço e o tempo são tão carrascos combinando com o espaço, este bem exíguo. Por favor, se algum crítico não enxergar muita coerência e coesão neste amontoado de idéias, por favor, envie por e-mail o comentário.