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Sexta-feira, Atibaia.
Meus pais vendo televisão não prestam atenção em minha explicação. Saio de casa em busca de pura aventura noturna. Caminho sozinho em direção ao centrão. Em busca de emoção encontro o “amigão” em frente ao mercadão:
- Fala ai amigão! Procurando confusão?
- Não. Só quero curtição!
- Então, tome um trago no tubão.
- Valeu meu irmão!
Bebo, bebo. Bebo muito.
Saímos alucinados, obcecados, transtornados e abusados. Devidamente trajados, tatuados e, de cabelos pintados, andamos pelo calçadão em busca de diversão.
Vai começar a zoação!
Chegamos à praça vazia da, já fechada, igreja matriz. Lá radicados, outros enturmados e mancomunados fumam uns baseados.
- E ai sangue bom! Vai um fininho facinho?
- É...! Ai sim...
- Hoje é você e amanhã é pra mim.
- Valeu!
Em delírio repito mil vezes o perigo e, meu “amigo”, se aborrece comigo. Arrependido, saio. Sozinho.
Cabeça pesada, taquicardia, boca e garganta seca, sede e fome. Olho as vitrines das lojas e, pelo reflexo, percebo a vermelhidão dos meus olhos. Vergonha é a maconha. Medo. Pânico. Pavor. Quero sumir até o efeito sair. Desço.
Esquivando dos clarões chego ao Centro de convenções. Subo o morrinho da árvore. Embaixo de seus “braços” me acomodo e, aos seus “pés”, apoio minhas costas.
Cheio de solidão e com aperto no coração, ergo a cabeção. Freneticamente abro e fecho meus olhos pensando nas raras manifestações de afeto expressadas por meu pai, nas incansáveis ladainhas sobre o uso de drogas ditadas por minha mãe querida, nas brincadeiras inconvenientes de minha irmã caçula, nos mimos exagerados de minha avó materna...
E assim, sob a luz da lua, confuso, entediado, calado e desacompanhado conto, com desaponto, a história da noite em que, mal acompanhado, experimentei o maldito baseado. Hoje, sou um *viciado.
*Alerta aos pais, familiares e responsáveis da “feliz cidade”.
Se você não dá atenção o ´amigão`
torna-se dono da situação.
Transformando o seu filhão,
em mais um viciadão.