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19/02/2011 - 06:30
Sob a luz da lua

Sexta-feira, Atibaia.

Meus pais vendo televisão não prestam atenção em minha explicação. Saio de casa em busca de pura aventura noturna. Caminho sozinho em direção ao centrão. Em busca de emoção encontro o “amigão” em frente ao mercadão:

- Fala ai amigão! Procurando confusão?
- Não. Só quero curtição!
- Então, tome um trago no tubão.
- Valeu meu irmão!

Bebo, bebo. Bebo muito.

Saímos alucinados, obcecados, transtornados e abusados. Devidamente trajados, tatuados e, de cabelos pintados, andamos pelo calçadão em busca de diversão.

Vai começar a zoação!

Chegamos à praça vazia da, já fechada, igreja matriz. Lá radicados, outros enturmados e mancomunados fumam uns baseados.

- E ai sangue bom! Vai um fininho facinho?
- É...! Ai sim...
- Hoje é você e amanhã é pra mim.
- Valeu!

Em delírio repito mil vezes o perigo e, meu “amigo”, se aborrece comigo. Arrependido, saio. Sozinho.

Cabeça pesada, taquicardia, boca e garganta seca, sede e fome. Olho as vitrines das lojas e, pelo reflexo, percebo a vermelhidão dos meus olhos. Vergonha é a maconha. Medo. Pânico. Pavor. Quero sumir até o efeito sair. Desço.

Esquivando dos clarões chego ao Centro de convenções. Subo o morrinho da árvore. Embaixo de seus “braços” me acomodo e, aos seus “pés”, apoio minhas costas.

Cheio de solidão e com aperto no coração, ergo a cabeção. Freneticamente abro e fecho meus olhos pensando nas raras manifestações de afeto expressadas por meu pai, nas incansáveis ladainhas sobre o uso de drogas ditadas por minha mãe querida, nas brincadeiras inconvenientes de minha irmã caçula, nos mimos exagerados de minha avó materna...

E assim, sob a luz da lua, confuso, entediado, calado e desacompanhado conto, com desaponto, a história da noite em que, mal acompanhado, experimentei o maldito baseado. Hoje, sou um *viciado.

*Alerta aos pais, familiares e responsáveis da “feliz cidade”.

Se você não dá atenção o ´amigão`
torna-se dono da situação.
Transformando o seu filhão,
em mais um viciadão.

Por Douglas Magrini Negrão
7 comentários para este artigo
  ANDRE AKIO disse em 21/03/2011 14:15
sabia q vc curtia um, rsrs...
  Douglas Magrini Garrão disse em 13/03/2011 14:53
Olá queridos amigos! É com muito carinho que agradeço a todos vocês pelos comentários que tenho recebido. Quero que saibam que não só os leio como tento aproveitá-los para a criação de novos textos. Portanto são de incomensurável importância. Obrigado! Shima valeu pela força amigo! Diego obrigado pela assiduidade e por me acompanhar nessa empreitada. Juliano obrigado pelas leituras e saiba que eu acredito em você. Você vai longe rapaz. Muita Sorte! Ana Lucia Santos de Souza você é um exemplo. Parabéns! Raquel você sabe tão bem quanto eu a dureza da solidão. Contudo tenho que te dizer que, para mim a solidão não é ruim, pois me põe em contato com o mundo. Não se esqueça que tem aqui um amigo. Parabéns por ser tão guerreira. Valeu!
  Shima disse em 08/03/2011 14:33
Douglas, uma palavra: sensacional!
  Diego disse em 08/03/2011 13:28
Esse você arrebentou!!!! Tenho filho e as saídas noturnas estão começando. Vou por atenção! Abraços e por que parou, parou por quê? Até o próximo artigo.
  Juliano disse em 22/02/2011 11:05
È isso ai meu AMIGO esse é o puro retrato da nossa cidade, feliz cidade coisas ruins acontece a todo momento e eles tampam o sol com a PENERA... ABRAÇO.
  Ana Lucia Santos de Souza disse em 21/02/2011 12:36
Oi Douglas. Muito apreciável seu texto. Se os pais se preocupassem mais com seus filhos, grande parte de muitos problemas sociais não existiriam. Acredito que não é solidão, companhia ou até mesmo momentos propícios que nos desvirtuam, mas a falta de princípios, que aprendemos dentro de casa, quando nossos pais não perdem tempo, ou dedicam tempo nos lapidando. Coisa extinta nos dias de hoje. Nunca precisei me drogar: porque vivo longe da minha família; porque meus amigos os que não estão longe estão sempre ocupados; porque os amores são sempre passageiros; porque estou sempre só. Nunca precisei roubar ou ser garota de programa para conseguir grana, preferi trabalhar dignamente... Será, que é pq tive bons pais ou pq não tinha TV na minha casa? ENSINA A CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE SE DEVE ANDAR, E, AINDA QUANDO FOR VELHO, NÃO SE DESVIARÁ DELE. Pv. 22,6 Bjs Ana Lucia a garçonete
  Raquel disse em 19/02/2011 23:20
Oi Douglas. Legal este texto. Solidão dá abertura para muitas experiências. Droga, sexo. Acho que os mais frageis sentem mais a solidão. Então, alguns encontram nas drogas, outros nos programas de televisão. Todos encontramos escapatorias. Fico, aqui, me perguntando, qual será a pior? Continue escrevendo!!! um olhar pode revolucionar um mundo inteiro e um mundo inteiro pode ser simplesmente uma pessoa. Havia esquecido de algumas coisas importantes na vida. Quando li um texto seu, - o segundo - percebi que eu havia perdido no meu referencial de mundo coisas muito importantes para mim. obrigada Douglas.
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13:45 - Atibaia no verão, que confusão!

Na sua opinião o prefeito Saulo está fazendo uma boa administração?
sim
não
Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.