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Ignoro dia, mês e hora. Uma homenagem as mulheres sempre é bem vinda. O que seria de nós homens se não fosse a singeleza daquelas que tornam o mundo um lugar mais cheio de cor e vida?
Sem dia internacional, basta ligar o rádio para que a mulher se sinta querida, amada e entre todas a escolhida. Nós homens amargamos o posto de coadjuvantes em toda grande história que vale a pena ser contada e na música não é diferente. Vamos a uma (nem tão breve) viajem ao cancioneiro mundial que têm como grata tarefa tecer histórias musicadas de amor, ódio, revolta, devoção, paixão e toda a espécie de sentimentos catárticos protagonizado é claro, por elas.
Seriam Michelle, Jude, Julia, Marta, Penny Lane, Prudence e Rita - damas virginais ou prostitutas no cais do porto de Liverpool? Lucy existe ou é só um delírio em céus de diamantes causada por alucinógenos? Só os Beatles podem responder, corram, só sobraram dois.
Layla(Ou seria Patty Boyd?) deixou Clapton( e Harrisson para quem conhece a história) de joelhos. Ainda arrancou a inspiração de “Something” e “Wonderfull Tonight”
Jessica, não mereceu letra, mas título da instrumental magnífica do Almans Brother´s. Seria uma sulista de sardas e pernas grossas irresistíveis(como solos de guitarra)?
Uma loira e outra morena. Ambas em casacos de pele, lolitas, garotas, no fog londrino. Jacquelines de Franz Ferdnand ou The Coral, habitando as ruas nesse momento. Com 17 anos também Natasha(era Ana Paula) fugiu de casa, e mesmo não gostando de Capital Inicial bailou nos anos 80. Conheci uma menina exatamente assim.
Os marrentos Galagher parecem mansos cantando para Lila e Sally(em Don´t Look Back in Anger). Os brutos também amam...
... E imploram: Beth what can I do? Imagine o roqueiro fantasiado apanhando com o pau de macarrão.
Não é diferente com Simon e Garfunkel que conseguiram em um título escancarar a dependência de uma carta de amor ou de uma canção perdida. “For Emily, Whenever it may find her”.
Porque estará triste a Lisa de Cat Stevens? Não existe nada mais “sad” do que uma mulher com cara de outono. Qual será o segredo de Lady Darbanville?
Só gosta de Johnny B. Good, quem não conhece Carol, Nadine, Betty Jean, Lucille, Delilah e Maybellene que faziam Chuck Berry requebrar os quadris. E olha que ele era esquisitão.
Polêmicas sexuais à parte, na cova do rei morto do pop, quem nunca cantou “Billie Jean is not my lover!”?
Desculpe Renato e Oswaldo, mas será que Eduardo e Léo nunca traíram ou foram traídos por Mônica e Bia? Aos mais classiscistas: e Romeo e Juliet? São fiéis na canção de Dire Straits?
Detalhe. Quem agüenta a Ana Julia do Los Hermanos; e pior, a Milla(ARGH!) do Netinho? E a Carla do LSJack? Devem estar casadas e com cinco filhos cada uma porque graças a Deus desapareceram.
E a danada da Rosa? Onipresente na música nacional como a de Jackson do Pandeiro que ameaça na base do “punhá” quem mexer com sua flor de quixabeira. Falando em flor, estaria Rosinha esperando ainda a asa branca ?
Dona? Não o adjetivo como a de Sá e Guarabira, mas a de nome próprio com duplo n(Donna) que Richie Vallens cantava pedindo arrego pelo toco.
As garotas de vida fácil estão representadas por Roxane a dama da boate azul do The Police.
Os olhos tristes e o casaco sem tostão furado de Angie teriam sido lembranças de mais um affair de Jagger?
Viajando para as taras recorrentes imagine a saia rodada de Yoshimi, lutando contra os robôs rosa da ficção musical de Flaming Lips(!).
Marias, Iracemas, Yolandas, Carolinas, Januárias, Madalenas, Lolas, Luisas, Lígias, e Ritas( ah! meus 20 anos!), mulheres de Atenas, ou muchachas de Copacabana, uma coisa é fato, ganham ginga, rebolado, cores próprias, cheiro e tesão quando cantadas na quase poesia de Chico Buarque. Bárbaras!
Com Edu Lobo, ganham requinte de star e Lily Brawn que o diga, lembrando dos clichês dismilinguidos ao som do blues - Anjo azul? Fala sério...
Conheci Camilas lindas, mas nunca agüentei o Nenhum de Nós, nem o Cazuza, gritando na música.
Se entrarmos no samba não sairemos daqui hoje. Seja a nega Judite, no baile do Bola de Alfredo del Penho, ou as mulheres de Martinho, com Chica, Mariana, Maria, Madalena(não a do Chico) que não deixam a cuca parar de doer nem a disritmia ser arrancada do peito.
Quem nunca xingou a Maria Lúcia que engravidou do Jeremias e deixou o João de Santo Cristo com ódio de vingança?
O romance em Durango de Dylan traz como protagonista ela, que entre guitarras vendidas, ruínas e sol quente, enlouquece o homem como uma insolação. Magdalena. Em português Madalena, na tradução de Fausto Nilo interpretada por Fagner.
Carrie podia até ser estranha no cinema, mas na música, as coisas mudaram meu amigo. Como diz a canção sucesso da banda Europe.
Já falei da Madalena? Não a do Chico nem a do Martinho, Nem a do Bob e a do Fagner, nem a bíblica, mas a do Ivan Lins, essa gostosura na voz de Elis. E pra encerrar o assunto tem também a cigana Sandra Rosa “Você Já Sabe”, cabelos negros, que tira qualquer um do sério - que ainda aparece com o Magal, já vestidos à caráter, em festas bregas por aí.
Coisas bizarras também acontecem: ou entendi errado se o baiano Gil comparou a Flora com uma jaqueira?
Como esta vida não é fácil, movida por tragédia, em vez de Inez, que abandonou o pobre Mané com a água esquentando, morre a Iracema, atropelada na contramão. Sabia muito esse Adoniran.
Por sinal difícil não repetir. Seu Jorge também canta Carolina, que com certeza já escrevi por aqui, por extenso ou no diminutivo.
Não esqueçamos a Tereza, cabocla fatídica de Tinoco e Tonico(e vice versa), de João Pacífico e Raul Torres. Ou ainda aquela de Jorge Ben, da praia de Jobim, ou do tango do Altemar Dutra. Tantas Terezas.
Para atingir cem:
Sheena a Punk Rocker; Judy is a Punk; Ramona a Ramone; Aubrey um pedaço de “Bread”; Sheila que chutava a sujeira do mundo escroto com os Smiths ; Mrs. Robinson a balzaquiana que desvirginou o Dustin Hoffman; Elise que recebeu a “letter” do The Cure; Íris que não tinha nada a ver com o filme dos anjos; Maggie May que fez Rod Stewart mais feliz(e mais rico); a louca Mary que morava numa curva de estrada com os grunges do Pearl Jam; a linda, linda, linda Peggy Sue, de Buddy Hollie; a violentada Polly do Nirvana; a maternal Lady Laura, rainha, mãe do rei; Nikita, não a assassina, mas a musa de Elton John; a nossa, a minha Sarah de Thin Lizzy; as sete Marias de Sá e Guarabira, descendo a ladeira com Sá Marina de Simonal.
Na reta final, alguém aí lembrou de Vera Lynn? Pink Floyd!
Quem tiver consigo a Amélia, a Conceição ou a Emília de Ataulfo, guarde a sete chaves, antes que uma louca feminista as enforque em um sutiã bojo duplo gg.
Quase lá! Luísa de Jobim; Tieta de Caetano; Adalgisa, Doralice e Francisca de Caymmi; Yaya de Zeca Pagodinho; Bete Balanço do Barão Vermelho; Helena do Misfits; Suzy Q e (Proud) Mary, do Creedence; Josephine(s) do Wallflowers e do Black Crowes; Fátima do Capital Inicial; Janaína do Biquíni Cavadão e até a Florentina do senhor deputado.
Angelina, Isis, Jolene, Lily, Rosemary, Dixie, Sara, Sally Sue, Peggy... queria falar de cada uma das mulheres de Bob Dylan...
Pois eh! Mulheres, cidadãs do mundo, Parabéns! Mais de 100 presentes aqui neste texto( e que trabalho deu escrevê-lo!) e certamente tantas outras que me esqueci estão ainda espalhadas por serenatas, serestas, poesias e canções, anônimas ou famosas.
Termino desejando à todas um amor de Vinícius. Acho que ninguém amou mais as mulheres do que nosso nobre poetinha. Sua “Receita de Mulher”, pode parecer machista e permissiva, mas não existem palavras mais próprias para esta ocasião que as que aqui encerram. No fundo todo homem olha para aquela garota em especial e se conseguisse se expressar como o poeta diria:
“Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.”