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No tempo em que o clube que hoje é o São João Tênis Clube, chamava-se SÃO JOÃO FUTEBOL CLUBE cujo símbolo era o Leão, Atibaia tinha um futebol de raça. E ponha raça nisso, quando o CTB – hoje o Grêmio Esportivo Atibaiense E O São João se defrontavam no grande e esperado “derby”. Podiam o São João ou o adversário estarem na lanterninha ou sem nenhuma possibilidade de ser campeão da Liga, que o jogo era falado na semana inteira. Porque, na verdade, o que interessava mesmo era vencer o rival no clássico atibaiense. Os jogadores até se concentravam e lembro-me de ver o Tico Emídio, o Norico, carques do CTB, ali na janela da hoje Pensão Colonial. Sim o negócio era muito sério.
E foi nessa época que o São Futebol Clube jogou no Estádio Municipal do Pacaembu, hoje Estádio Paulo Machado de Carvalho. Pois é, tratava-se de uma decisão (pode?) da Liga Amadora de Futebol. O Leão da Caixa D’água disputaria com o Esporte Clube Mairiporã, outro timaço da região, o título de campeão ali na Liga da Zona Bragantina (perdão aos leitores se não era esse o nome da Liga de Futebol local). Assim, a expectativa era enorme. Ônibus, caminhões tipo pau-de-arara estavam sendo lotados para o grande jogo decisivo no Pacaembu. Agora, é claro que essa disputa entre times amadores do interior não colocar impunemente atrações os times de Atibaia e Mairiporã em pleno Pacaembu. Não iria haver, por exemplo, a famosa frase de Fiori Ggliotti “Torcida brasileira, aproxima-se o momento de a torcida sanjoanense gritar a plenos pulmões: “São João, campeão da Liga Amadora de Futebol da Zona Bragantina” Na verdade, o jogo decisivo seria a preliminar do encontro entre Palmeiras e Corinthians pelo Campeonato Paulista de Futebol. Mas valeria a pena chegar cedo ao estádio para ver o São João ou Mairiporã ser campeão. E foi assim. Meu pai tinha um caminhãozinho com o qual fazia carretos e, eventualmente, levava gente para trabalhar na zona rural de Atibaia. Não deu outra, lotou o veículo.
No estádio, nós, os torcedores do São João ficamos nas gerais. Hoje tudo é arquibancada. Ficamos bem no meio, com uma visão boa do campo, pois chegamos bem cedo. Que eu me lembre estava, creio, o Hélio Tavares, oTotonho, o Puruca... Os times entraram em campo e as pequenas torcidas do São João e do Mairiporã vibravam, soltaram rojão. O estádio pela hora estava vazio, de modo que não era o barulho de torcida, mais um ruidinho mixuruco. Imagine 30 pessoas gritando naquele mundaréu de estádio. Os jogadores em campo e a RÁDIO TÉCNICA DE ATIBAIA estava lá entrevistando jogadores. Meu pai, com o radinho de pilha tentava ouvir as vozes dos jogadores (perdão, a memória não ajuda a lembrar os nomes dos jogadores). E meu pai, oh! quanta ingenuidade, não ouvia nada, pois a Rádio não tinha re torno. Ou seja, o som ia para Atibaia e ficava lá, sem voltar para o local da transmissão. Meu pai não concordava e quase jogou o Rádio no chão de raiva. Mas o jogo começou e a cada ataque perigoso os torcedores rivais gritavam, faziam aquele famoso UUUUUU!!!!!!. Ou lamentavam a perda do gol Ou aplaudiam uma bola jogada. Bom, ali já estava no meio do jogo e o estádio estava já bom público. A tal ponto que uns gaiatos, até com certa razão, ao verem os aplausos, os mixurucos UUUUU!!!!, começaram a tirar o sarro. “Aplaudindo o quê? Pra quê? Por quê? Ah, entraram de graça, é? Seus otários. Lembro-me bem de um jogador do São João, um desses centro-avantes fossadores (que o vulgo chama de fussadores), de nome Rosário que fez algo para chamar a tenção de uma torcida que não estava nem aí pro jogo. Depois de ser vaiado várias vezes pelos chutes errados que dera, deu um be lo tiro. A bola bateu violentamente no travessão subiu e, absurdamente, ao cair voltou a bater no travessão. Aí se ouviu algum aplauso pela bizarrice do lance. E daí, todas as vezes que o Rosário pegava na bola era aplaudido, não sei se por elogio ou por gozação.
Como?
Quem ganhou? Nem me lembro do resultado (se alguém lembrar, me informe). Mas parece que o time do São João Futebol Clube, o Leão da Caixa D’Água tornou-se campeão da Liga de Futebol da Zona Bragantina.
Coisas de um tempo em que o futebol era gostoso e divertia também.
A memória é grande. O tempo é pouco, o espaço menor. Então, até a próxima