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24/03/2011 - 10:00
Consumo de calmantes cresce 40% no Brasil entre 2006 e 2010 - Um alerta!

Nos dias atuais as pessoas de modo geral enfrentam situações de grande estresse, ou quando a sua tensão pré-menstrual está a ponto de levá-la à loucura, muitas mulheres recorrem aos comprimidos ou a gotinhas do calmante tarja preta Rivotril (o Clonazepam), o mais famoso e líder da família dos benzodiazepínicos.

O clonazepam, em latim: clonazepamum, (comercializado pelo laboratório Roche com o nome de Rivotril ou Navotrax na Europa, Ásia, América latina e Oceania e Klonopin nos Estados Unidos) pertence a uma classe farmacológica conhecida como benzodiazepinas, que possuem como principais propriedades inibição leve das funções do sistema nervoso central permitindo assim uma ação anticonvulsivante, alguma sedação, relaxamento muscular e efeito tranquilizante. Em estudos feitos em animais o medicamento inibiu crises convulsivas de diferentes tipos, devido a sua ação diretamente sobre o foco epiléptico e também por impedir que este interfira na função do restante do sistema nervoso. Em maio de 2009, o clonazepam era o medicamento de tarja preta mais vendido do Brasil.
Indicações
O clonazepam é normalmente prescrito como ansiolítico geral e também para Síndrome do Pânico,Disturbio bipolar, agorafobia (que é um transtorno de ansiedade, na maioria das vezes, associado às crises de pânico),depressão e epilepsia.
O mercado de Clonazepam cresceu, de 2006 a 2010, 41,9% no Brasil, sendo que, para o Rivotril, este índice foi de 8,8%, segundo dados da consultoria IMS Health e do próprio fabricante do fármaco.

O consumo hoje está tão banalizado e muito comodista que se tornou quase um modismo. Três gotinhas e pronto parece que tudo fica melhor. Grande engano!

Difícil é saber se as pessoas estão realmente precisando mais desses tranqüilizantes ou se os médicos receitam sem muito critério. A rigor, o Clonazepam é indicado para casos mais graves de ansiedade, estresse pós-traumático e síndrome do pânico. Inicialmente, chegou a ser usado como antiepilépticos.
Especialistas alertam que, em muitos casos, a sensação de bem-estar com a droga é enganadora, porque os problemas internos continuam sem uma solução.

Muitos profissionais da área médica como, por exemplo, ginecologistas, administram para diminuir a tensão pré menstrual de algumas pacientes
Isso não é raro porque o fármaco pode provocar mais sedação do que redução da ansiedade, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo. Ele lembra que o Clonazepam pode causar dependência quando usado por mais de seis semanas. É por isso que em países como os EUA há limite nas prescrições.

O Clonazepam é a principal causa de quedas na população acima de 50 anos. Essas pessoas tomam o medicamento no meio da noite, se levantam e acabam caindo. A longo prazo, o fármaco prejudica a memória. Quando associado ao álcool, sua ação é potencializada - alerta Laranjeira.

Para Laranjeira, esse tipo de comportamento contribui para o aumento de vendas e o abuso no consumo da droga.

Segundo Laranjeira, o abuso pode estar ocorrendo devido ao descuido dos médicos nas prescrições, ao baixo preço do medicamento (o frasco custa cerca de R$ 10) e, eventualmente, à promoção não ética de farmácias e da indústria farmacêutica

A falta de cuidado e/ou critério por parte de médicos é um dado real.
O consumo abusivo a médio prazo, de três a seis meses, causa tolerância e o usuário passa a necessitar de dose maior para atingir o efeito inicial.

Droga não traz sensação de paz

Para o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da UFRJ, os calmantes relaxam, mas não trazem sensação de paz. Ele lembra que psicoterapia, ioga, meditação e prática de exercícios também relaxam e reduzem a ansiedade.

Para Laranjeira,quando muito, o calmante é um arremedo de conforto. Acredito no repertório não farmacológico que inclui ouvir música, fazer exercícios, cultivar as relações amorosas, familiares, trabalho criativo. A busca do paraíso é eterna, mas duvido que o nirvana seja encontrado nas medicações e nas drogas.

O efeito dos benzodiazepínicos é semelhante ao do álcool, já que o mecanismo de ação desses fármacos nos neurônios é quimicamente similar ao do etanol. Aliás, a dependência em alcoólatras é alta, comenta a psiquiatra Vera Lemgruber, chefe do Setor de Psiquiatria do Serviço da Santa Casa de Misericórdia no Rio. Ela acredita que o Rivotril em particular faz sucesso porque tem poucos efeitos colaterais, além de sonolência e relaxamento muscular. Além disso, a droga não tem o estigma de antidepressivo. E ainda é barata, em relação a outras da sua classe.

Clínicos acham mais fácil receitar esse tipo de medicamento do que os antidepressivos, que provocam efeitos colaterais desagradáveis e precisam ser controlados com maior atenção. Hoje a bola da vez entre os benzodiazepínicos é o Rivotril, mas em outras décadas já foram Valium, Lorax, Olcadil, Lexotam e Frontal.

Nem mesmo se livrar do Rivotril por conta própria e de uma hora para outra é fácil.

A retirada precisa ser feita de forma gradual para evitar crises de abstinência e insônia, sintomas que podem reforçar a impressão de que não se deve deixar de tomar a medicação..

Essa dificuldade para abandonar o fármaco não está apenas associada à sua química, acrescenta a psicanalista Alice Bittencourt, da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio.
Livrar-se do Rivotril ou qualquer outro é difícil porque é preciso enfrentar todos os fantasmas que a pessoa não queria encarar quando começou a tomar o medicamento. Afinal o remédio só esconde os problemas, que continuarão lá, esperando para serem solucionados.
As pessoas não se dão conta que não existem pílulas milagrosas, e que uma hora terão que trabalhar as suas dificuldades internas com especialistas numa eficaz terapia
Como bem escreveu Nietzsche:Para sermos sábios,devemos ouvir os latidos dos cães selvagens no porão.

Na opinião da psicanalista Alice, essa busca da sensação de paz faz as pessoas esquecerem da tarja preta e do risco de dependência química e psicológica:

Muitas pessoas já inseriram em seus pertences pessoais, como por exemplo nas bolsas, uma caixinha de Rivotril,como se este já fizesse parte de seu dia a dia ou como algo mágico, que eliminasse a tensão antes de uma prova,uma reunião, uma palestra,etc.

A Roche, fabricante do Rivotril ressalta que não faz mais a promoção comercial do fármaco no Brasil e que ele só pode ser comprado com receita retida e controlada pela ANVISA.

Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
 

Por Suely Bischoff Machado de Oliveira
4 comentários para este artigo
  suely bischoff machado de oliveira disse em 05/04/2011 08:37
Prezado João Leite Bom dia Parabéns por sua força de vontade em deixar de usar o Rivotril, e lembre-se:Nunca desista de sí mesmo.Siga estas tres frases:Eu posso, eu sou capaz, eu consigo!
  suely bischoff machado de oliveira disse em 04/04/2011 12:10
Prezado João Aparecido.Fico feliz por ter de alguma maneira contribuido com este artigo para informar, esclarecer e tirar eventuais dúvidas.abraços, suely bischoff,psicóloga,crp06/8495
  João Aparecido Silva Neto disse em 27/03/2011 20:02
Fiz um Trabalho escolar com base nessa reportagem, e meus professores adoraram, parabéns Suely um ótimo trabalho!
  João Leite disse em 25/03/2011 21:09
Olá, usei o Rivotril (por alguns viciados no remédio ou dorga é Rivs) durante 14 anos. A alguns meses, estou deixando de usá-lo, chequei a tomar 15 gotas diárias, como eu me setia bem, parecia que tudo estava resolvido era só maravilhas, tudo era falso, acabava o efeito, e todos os problemas valtavam, claro, não tinham sido resolvidos. Amigos, nem comece tomar, é melhor revolver os problemas e enfretá-lo de cara limpa. Hoje consegui diminuir o Rivs em uma gota por dia. No inicio, achei que ia ficar louco, suava frio, achava que ia derretr e não tinha apetite, em tres meses, perdi 12 quilos. Não tome, pois é droga, vicia, é muito duro de largar, é igual ser usuario de cocaina, é horrível.
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Na sua opinião o prefeito Saulo está fazendo uma boa administração?
sim
não
Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.