Ano Novo, Vida Nova, diz o ditado. Todo mundo está ligado no novo ciclo que se inicia. Uma onda de renovação chega na gente de todos os lados. Mas, as forças conservadoras também estão presentes. E essa luta é de todo dia, a gente sabe: o esforço de mudar. Começar regime, começar a estudar, parar de fumar, começar a fazer exercícios... ser diferente... uma lista enorme. Só que nessa época do ano fica mais intensa, porque os
fatores de renovação são avivados pela chegada do Ano Novo: champanhe, fogos de artifício, promessas de uma vida nova. O engraçado dessas coisas é que vivemos fazendo promessas, realmente sinceras, mas nunca cumprimos. É estranho isso, não? Parece que há uma força qualquer, dentro da gente, que trabalha contra. O mais estranho ainda é que raramente nos damos conta dessa força que combate todas as nossas decisões de mudança. É uma luta interna: a vontade de mudar e a sombra que nos faz ficar na mesma.
Na maioria das vezes, perdemos a batalha. Acaba tudo na mesma. Não pensem que estou falando isso para desanimar. Pelo contrário. Estou avisando para aumentar as chances de que 2009 seja um ano de mudanças reais. É que para vencer a batalha interna pela mudança, precisamos estudar o inimigo...
Estou aqui, na minha mesa, olhando para uma estátua de Shiva, deus indiano da transformação, da mudança, dos ciclos renovatórios (e da música e do ritmo) e me perguntando: falamos tanto em mudanças, mas será que é mesmo preciso mudar? Ou, porque é preciso mudar?
Penso que o motivo mais básico é que é para acompanhar as coisas, porque tudo muda, afinal de contas. E se tudo muda e eu não, acabo ficando de fora das coisas que estão acontecendo e... perdendo as oportunidades de coisas boas. Por exemplo: se mudo de emprego, vou ter que mudar muita coisa, muita coisa é feita de um modo diferente e eu não posso querer ficar fazendo tudo da mesma maneira que eu fazia antes. E todo dia é
assim: muda. Se eu não mudo junto, fico de fora. O que não se renova, endurece e morre. Parar, se congelar, estagnar, é contra as leis da vida, portanto. A vida é mudança, a vida é progresso, a vida é dinamismo. Ficar sempre na mesma é coisa típica do mundo inanimado: pedras, por exemplo.
Daí, que o primeiro passo para uma mudança de verdade, é se convencer de que mudanças são necessárias. Senão, fica só um papo da boca para fora, sem a menor interesse. Então, primeiro conselho: veja bem se quer mesmo mudar. Se sente necessidade disso. Mudar para que? Ou você está falando em mudança só porque escuta as pessoas falarem que precisa mudar?
A mudança tem que atender às nossas necessidades e não às exigências dos outros.
A renovação tem que partir do que eu estou sentindo em mim como atrasado, velho, passado...
Atitudes infantis, hábitos errados, coisas que eu faço que não admiro, maneiras de ser que me atrapalham.
Esse é o primeiro passo: identificar a fonte da necessidade da mudança.
Uma vez que você tem na mira algo que realmente quer mudar, mãos à obra: cumpra o seu dever para com a vida - renove-se!
Bom, aí é que começa a dificuldade. Mas, alguns cuidados básicos podem ajudar muito.
Um ponto onde as pessoas se perdem, tentam um pouco e depois desistem é porque se colocam metas muito elevadas e exageradas, movidas pelo entusiasmo da decisão.
Sabe como é, a pessoa sabe que tem que fazer exercícios, que está muito parada, a vida sedentária, o médico já mandou caminhar e fazer dieta um monte de vezes, mas... nada. Aí, um dia, provavelmente um dia 1 de janeiro, ela vira para si mesma e promete que vai fazer duas horas de exercícios todos os dias. Caminhada logo de manhãzinha, às 6:30hs, depois vai dar uma passadinha na academia e malhar. Ela faz isso um dia, dois... depois, começa a espaçar e não vai mais.
Esse é um dos pontos que nos impede de realizarmos as mudanças que planejamos: nos entusiasmamos demais e nos propomos metas irreais. Aí, você tem que ser realista. Tem que ter metas razoáveis.
Um outro ponto, que também faz parte da metas razoáveis, é querer fazer tudo de uma vez. Começar a estudar, procurar emprego novo, aprender inglês, computação, fazer cursinho, começar a praticar um esporte, malhar, fazer regime... É claro que não vamos cumprir tudo isso. É inumano. Mas, vejo muitas pessoas fazendo isso. E depois estranham que não conseguem e ficam se censurando. Aí, a auto estima vai prá baixo e fica mais difícil ainda.
Então, quer mudar? Escolha uma coisa, um item. E estabeleça metas razoáveis. Comece aos poucos, fazendo coisas que vc tem certeza que vai cumprir.
João Paulo Correia Lima
Psicólogo clínico - diretor da Associação Brasileira de Medicina
Psicossomática
Mestre em Neurociências - USP - membro do grupo de Neuroimunomodulação -
USP
4413-4855 - e-mail jpcorreia-lima@uol.com.br