Quem me dera as palavras digitadas também revelassem as imagens que significam. Ah, pessimista e incrédulo leitor! O computador faz milagres e daqui a algum tempo... Tal é minha disposição ao voltar a escrever sobre aquela Atibaia que muita gente não viu e de que pouca gente sente saudade. Mas, como diz o título, recordar é sempre viver.
Era também chamada pela voz popular de “a rua de baixo”. A de cima era a principal, na época: rua José Lucas, ou rua Direita. Mas quem vir a rua José Alvim, hoje,jamais poderia imaginar, senão pela memória bem viva, o que era. Começa fazendo esquina com a rua Major Juvenal Alvim. Daquela época da década de 60, muita coisa ainda chega a mim pelo computador aqui dentro da mente, no que seria um arquivo sem limites, muito mais rico que as máquinas e programas atuais. Graças a Deus. Mas apesar das dicas de minha irmã Sônia Chamadoira, a mente falha e, nesse caso, leitor, corrija-me. Certo? Meu e-mail está à disposição no fim do texto.
Tal qual fotograma de um filme de cinema, passam-me as casas, lojas de um tempo para outro. A rua longa, começa na rua Major Juvenal Alvim. Os de boa memória até se lembram de que na esquina, onde hoje está a Auto-Escola Charamuru (nunca entendi o CHA, no lugar do CA), ficava a CTB, Companhia Telefônica Brasileira (onde minha mãe trabalhou). A memória caminha e vem a loja de roupas indianas . Morou nesse lugar, um dos irmãos Rosa (Tranquilo, creio). Em seguida, antes da atual loja de móveis que era do Sirera, residiam, numa casad e portão de ferro, o Dr. Eurico Pereira, grande médico e a querida Profa. Aracy Salles. Aí vem a loja de calçados, onde era residência. Depois, onde hoje temos o restaurante Comida..., na década de 60, a entrada do Grêmio Esportivo Atibaiense. Ao lado, parte da base de minha vida atual: era a Rádio Técnica de Atibaia, ZYR-95. Essa rádio me apaixonou e produzo, atualmente, dois programas radiofônicos, mas na RÁDIO UNESP FM, da Unesp – câmpus de Bauru,
E, com a consciência pesada por achar que tenha pulado alguma coisa, a memória chega à esquina da José Alvim com a rua José Pires. Ali, hoje um instituto de beleza, estava o conjunto de salas, inesquecível que, na década de 60, era o ponto freqüentado pelos estudantes: o CESUA – Centro de Estudantes Secundários e Universitário de Atibaia. Durante a semana, jogos, animados papos; sábado e domingo, bailinho. O CESUA foi uma vítima da ditadura. Em 1968, organizando uma feira de livros, a polícia fechou a feira e o CESUA.Parte triste de uma grande época. No outro lado da rua, onde hoje funciona loja de aparelhos telefônicos, estava a farmácia Farmácia Popular, do Avelino Almeida Bueno. Grande farmacêutico. Â E a memória caminhando: a Relojoaria Russomano. E umas lojas de roupas, ótica, que ocultam uma barbearia, o Bar do Sylvio , onde se comia, depois da sessão do Cine República – que ficava em frente – uns maravilhosos doces. Esse bar virou depois o Bar do Luiz Quintanilha, que era vizinho à barbearia dos irmãos Tito e Gentil (hoje, creio no lado da rua). E aí a porta da casa do Elias Zaca e filhos com os quais estudei,– Elias, Antônio, Bernardete e outros. Uma loja de roupas masculinas e o bar do Japonês pai da Taneko e irmãs, onde se comia uns pasteizinhos maravilhosos e, segundo as más línguas, lá no fundo jogava-se carteado. Aí vem a porta que hoje dá lugar a uma, acho, academia de ginástica, mas que naqueles tempos abria para os salões do São João Futebol Clube. Após o São João era a casa e a farmácia do Bento Escobar, grande defensor das idéias contra qualquer prefeito ou governo, pois era da UDN. E vem depois, atualmente, lojas de roupas, de artesanato, bolsas. E chegamos à esquina com José Bim. Lembro-me de que antes da Cantina do Nelson, substituida pela atual papelaria estava o armazém de secos e molhados ou mercearia do Antero. Se não me engano, meu avô quando ia de cavalo para as compras, amarrava o cavalo no lugar apropriado que havia ali. Minha memória atravessa a esquina da José Bim e vejo ali ainda a propriedade dos Massoni, vendendo arroz, onde hoje é o Bar Brahma. Depois, a casa onde morava a colega Odênis, hoje loja de roupas jovens. O Banco que aparece ali substituiu a Caixa Econômica. Parece ainda que vejo depois a sede do clube CETEBÊ, hoje Grêmio Esportivo Atibaiense, substituída pela casa dos amigos Adilson, Edson e Darci e Nelson Gil de Oliveira. Entre essa casa e a atual Padaria Kekos, há o Banco Postal, c asa em que funcionava o Posto Municipal de Saúde, que antes era residência do delegado de Atibaia, marido da professora de aulas particulares de Francês, d. Vera. E antes do Kekos, era o armazém de secos e molhados Casa Monteoliva, onde se comprava de caderneta. Depois da esquina com José Inácio, um casarão que foi a sede do Grêmio Estudantil “César Mêmolo”, onde se jogava, se dançava, órgão dos alunos do então colégio conhecido hoje como Majorzão. Que saudade da turma, Pedro Calil, Aldo Paulinetti, Vanda paolinetti, Dulce, Orlando Ferro, Ivone Cruz, Catita ... E onde anda a juventude estudantil de hoje? Nada. oje?hojeA Associação Comercial de Atibaia ficou depois ali, e hoje, creio é perfumaria, antecedendo a casa dos Paccini. E na casa do taxista Tico Perna Fina, pai do Maurício, lá do Box do Mercado, vemos casa de chá, escritório e loja de colchões. Esq uina com Manoel José Neto, meu bisavô, está o bar do Zé Momo, daí o Cine Atibaia, construído onde onde, há muito tempo, existiam umas casinhas: a do Zé Porquinho, a do Botuca. E agora a foto Calçadão (que não fica no Calçadão). E a Stella Modas e o estacionamento do Big, e loja de conserto de roupas engoliram a loja de construção do Esteves e do Chiochetti, em cujo escritório fiz uma espécie de estágio para “aprender” contabilidade aprendida na Escola de Comércio Gertrudes Pires Alvim, para usar quando fosse para São Paulo, continuar os estudos. E o CPP, hoje, esconde o sobrado que foi a casa do Dr. Lamartine, grande médico, substituída pela presença da profes sora de francês, Fúlvia Cancherini. Um pet shop no lugar de uma loja de cal, areia, tijolos, antecede, finalmente, uma farmácia de nome japonês, onde foi o bar do Olegário Lobo. Nesse bar, devorávamos entre outras outras guloseimas, uma mistura de sorvete de creme com groselha, que o amigo de então, hoje na paz eterna, Hélio Tavares batizou, não sei explicar por que, de “bugio” E que entre as cervejas abrilhantava as noites de calor daquela Atibaia. Aliás, o Lobinho, que reside no andar superior, ao que tudo indica, deve ser neto do Olegário, que, por sua vez, era o pai do Bê. Minha memória-câmera se fecha, terminei de tentar “fotografar” por palavras as inexoráveis mudanças por que passou o lado esquerdo da rua José Alvim, de Atibaia. Se algum leitor de observação mais arguta e de boa memória vir algo a ser corrigido, faç a a correção. Envie e-mail para jbchama@faac.unesp.br. Agradecerei de todo coração. Fim de espaço, tempo exíguo. Até a próxima.