Andando por Atibaia, nesse fim de semana, fui reconhecer a rua José Alvim. Ali, a cada passo que dava, o passado se fundia no presente. Sem futuro. Assim, livros,s revistas na livraria Barqueta, fazem-me lembrar a figura do Barqueta, que vendia jornais nos vagões do trem da Estrada de Ferro Bragantina e da banca de jornais e revistas do largo da Matriz. Hoje, o Sérgio Sales, antigo colega na carreira de professor, continua ali. Será que já vendeu meu livro publicado que ali deixei? Caminhando, daquelas residências e famílias, restam apenas o chaveiro, a loja de roupas femininas E o conserta roupas, ainda me faz recordar da dupla Alcides e Jacir, mestres da alfaiataria. Depois o progresso com a galeria Matriz, uma miniatura de shopping, ou melhor, de Centro Comercial. Cá entre nós: nunca entendi o porquê do nome em inglês. “Gentinha subserviente”. Tem que ser em inglês? Residências e residências viraram comércio. A loja de sapatos do Silvano tem agora outros sapatos: os esqueites do Esqueite Shop. Huuuummmm! Shop? ?? Onde havia o Banco do Brasil, hoje lingerie, outras lojas... E andar acima, é um prédio, residência. Era ali o dentista Carneiro Branco, mulher e filhos, conhecidos como os Colasso. E, depois, o portãozão, fundos da casa do ex-prefeito Horácio Neto e d. Ernestina... Depois, antiga casa dos Aguirre, Demerval e Paulo. E, se não pulei nada, o Tabelionato Torre, onde funcionou por um bom tempo uma agência bancária terminada em Ú. Iniciando a outra quadra, o já antigo bar que foi o famoso Bar Seleta, ali do Mário Tavares e outros. Em cima do bar, não sei o que hoje funciona, mas, anos atrás, foi escritório. E muito tempo antes os estudantes se reuniam no Grêmio Estudantil César Mêmolo. E hoje, loja de quebrar galhos para festas: aluguel de roupas finas. E chegamos a um espaço inesquecível, hoje um espaço totalmente sem graça que serve de mero estacionamento. E que tempos atrás, servia de cultura, divertimento, educação, conhecimento, infelizmente, levado pelo tempo e pela insensibilidade: O CINE REPÚBLICA. Olhando para dentro do terreno, pude ver frases marcantes como AMAR FOI MINHA RUÍNA, AVENTURAS DO ZORRO, ROCK LANE, TARZAN, O HOMEM FOGUETE, E O VENTO LEVOU, RIO VERMELHO, JECA TATU, CHAPLIN, TRÊ S PATETAS, OLIVER HARDY EE STAN LAUREL (Gordo e Magro) ... Acordei do sonho, lembrando-me de que os atuais artistas do CINE REPÚBLICA são os irmãos Gentil e Tito, cuja barbearia, saindo do outro lado da rua, tornou-se vizinha ao terreno do cinema. Dali, onde moravam famílias, hoje loja de roupa íntima. Daí, onde está o bar do Quintanilha, ou mesmo o bar do saudoso Cuié? No bar do Quintanilha, comi meu primeiro pedaço de “pizza à napolitana”. E, seguindo, lojas de roupas, dentistas, pergunto onde andam o Edson Kamarauskas do tempo de colégio, e a família. Depois de lojas, chegamos à rua José Bim. Bem na esquina, antes de passar para o outro lado, onde havia naquele tempo uma delegacia de polícia, hoje vemos uma loja nada sólida. E chegamos ao restaurante de nome inglês. Belo aproveitamento da casa dos Alvins, que frequentei para ter aulas com a D. Marina e D. Lourdes. Seguindo, depois a cabeleireira onde morou o g rande companheiro de futebol, o Vicente Queirós, o popular Vicentão. E lembro-me de que havia uma farmácia, cujo proprietário foi meu professor de química e, parece, piloto. Se a memória não falha, era o Joaquim Silva. E então vêm as lojas Pink e Papas não se o quê. Há muito tempo atrás, havia, a seguir, uma oficina, a do Peranovich, e o terreno abrigou mais tarde uma pizzaria. Ao lado eera a casa do Tio, motorista de praça, cuja filha, Gioconda, era uma bela morena. Hoje, apenas loja, uma imobiliária, e a loja de ponta de ... E a esquina com a rua José Inácio. Do outro lado da esquina, onde houve, muito tempo atrás, o empório da D. Júlia, mãe do Dito Salim, da Bernadete e e outras filhas, uma delas freira. A casa continuava o empório. Hoje abriga casa de informática e papelaria. E vêm, agora, lojas, posto de correios, informática, imobiliária, farmacêutico, onde an tes eram residências e residências. Havia ali uma casa de muitos quartos e funcionava a gráfica de A Gazeta de Atibaia e a sede da UDN. E uma casa de portão de ferro, uma escada com janelas. Foi a casa da família do Cuié, depois da família de origem japonesa Morisawa, da qual me lembro da linda nissei Taneko, colega de classe nos anos de primário. E aí a bela casa enorme, em residiu a famílçia Guelpa, cuja filha Talita, era meio arrogante. Depois a residência do Vinícius Chiochetti, lá da livraria do largo da Matriz e família. A seguir, as residências que ali estavam desapareceram e viraram escritório de advocacia, dos advogados Pinto e família. Lá está escrito doutor, mas recuso-me a chamar de doutor quem não é tem tese de doutorado. E aí vem dentista, onde era a casa do Arlindo Ferraz, pai do Arlindinho, hoje, creio almirante ou quase, da Marinha oficial, e suas graciosas irmãs, Maria Inês, da Academia de Letras de Atibaia, e a Maria Lúcia. E, então, a casa que era do Menotti Barca, cuja caminhonete creio ano 30, entregava pães fresquinhos de manhã. Seu nome foi para o destruído e posto abaixo Estádio Menotti Barca, onde assistíamos a belos jogos de futebol, torcendo para o São João Futebol Clube. Saudade da Ditinha e da irmã de cujo nome não me lembro. E finalizando, uma casa de impressoras, no lugar de um popular bar, o Bar do Luiz, onde se compravam figurinhas, mas daquelas de balas, não de envelope. E lá tgamb´me estava o filho, esforçado advogado Darci, a irmão –e o nome? – e a d. Antônia, de quem eu comprava lanches na h ora do recreio (assim se dizia), lá no Grupo Escolar. Eram ela e a dona do outro bar, o bar do Olegário a oferecer os sanduíches de mortalela. Mas depois do bar do Luiz, acabou-se o que era doce.
E, assim, chegamos ao final desta viagem pelo espaço e pelo tempo na rua José Alvim. Para um memorialista como este que escreve este texto, uma deliciosa viagem, mas que tem também seus momentos de saudade de uma Atibaia, vencida pelo tempo, mas não vencida pelo esquecimento e sentimento.
Por hoje é só. Até a próxima.