Ser mãe é uma experiência difícil de descrever. Cheiros, olhares, intuição e aprendizados baseados nas próprias experiências. No início, a gestação, amamentação, aconchego, cuidados, dúvidas, cólicas, o choro do bebê que aprendemos a reconhecer. Mais tarde, a transmissão de valores e limites, brincadeiras, broncas, deveres de casas e, anos depois, as preocupações com a formação profissional, o namoro, a sexualidade.
É a intimidade do amor maternal somada à confiança constituída nos braços do pai (pois a figura paterna é também muito importante) que conduzirão a criança, e mais tarde o jovem, em seu desenvolvimento como ser humano, capaz de lançar-se ao mundo e fazer suas conquistas.
Nesta caminhada, de vez em quando, nós, mães, nos sentimos cansadas, ou frustradas e culpadas diante de nossas próprias falhas. Os medos e tombos pelo caminho são inevitáveis, mas felizmente descobrimos que há, nesta experiência, muitas possibilidades de renovação e crescimento pessoal.
Desde o nascimento, os filhos gradativamente desenvolvem habilidades necessárias à sua sobrevivência e autonomia e, no ato de educar, também as mães evoluem como seres humanos. Mas é quando se tornam adultos que os filhos mais nos ensinam lições sobre a liberdade e o desapego. Um dia vão embora, precisam cuidar da própria vida. Então se casam, têm também seus próprios filhos e nos trazem uma nova experiência: nos tornarmos avós.
Concluímos assim que o amor materno, e somente ele – ainda que seja oferecido por uma mãe substituta, como uma avó, uma tia ou o próprio pai –, tem infinita capacidade de abrir espaços às crianças e jovens para que se desenvolvam. Mas amar é também ser amado. Para cuidar, precisamos ser cuidados. Não podemos esquecer que nós, mães, também necessitamos de apoio, já que despendemos tanta energia para atender aos filhos, enquanto conciliamos tantos papéis sociais, como profissionais, donas de casa, esposas e cidadãs. Por isso, trocar experiências, conversar sobre nossas dificuldades, pedir apoio, admitir nossas próprias limitações e buscar, se necessário, algum tipo de ajuda psicoterapêutica é mais do que nosso direito.
Ser mãe não é “padecer no paraíso”, não é sofrer ou se sacrificar. É acreditar que, sendo a maternidade um caminho para evolução, podemos nos tornar mães suficientemente boas. Não perfeitas – porque essas não existem – mas capazes de gerar futuros adultos felizes e plenos.