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Denomina-se radier à placa única de concreto armado que se estende por toda a área da fundação e sobre a qual se apóiam todos os pilares ou paredes estruturais, cujas cargas são transmitidas ao solo ao longo de toda a área desse radier. O radier é uma fundação direta e pode ser vista como uma grande sapata (REBELLO, 2008). O fato do radier ser uma peça inteiriça pode lhe conferir uma alta rigidez, o que muitas vezes evita grandes recalques diferenciais (BRITO, 1987). Outra vantagem é que a sua execução cria uma plataforma de trabalho para os serviços posteriores; porém, em contrapartida, impõem a execução precoce de todos os serviços enterrados na área do radier (BARROS, 2003), como as instalações hidráulicas.
Para Miozzo (2007), radier é um elemento de fundação superficial que abrange todos os pilares da obra ou carregamento distribuídos, como tanques, silos e depósitos. Capello et al. (2010) descreve que o radier é considerado um elemento de fundação de difícil execução, devido ao seu grande volume de concreto armado, por isso é pouco utilizado; ele deve resistir aos momentos vindos dos esforços transmitidos pelos pilares, devendo transmiti-los diretamente ao solo; quanto à execução das instalações hidráulicas e demais serviços enterrados abaixo da estrutura, devem ser realizadas com antecedência.
Recorre-se a esse tipo de fundação quando o terreno é de baixa resistência (fraco) e a espessura da camada do solo é relativamente profunda. Estando a camada resistente a uma profundidade de que não permite a cravação de estacas, devido ao pequeno comprimento das mesmas, e por ser onerosa a remoção da camada fraca de solo, opta-se pela construção do radier (AZEREDO, 1977).
A soma de todas as cargas sobre o radier deve resultar em uma tensão no solo inferior à sua tensão admissível (taxa). O radier pode ser aplicado tanto a solos muito resistentes como aos solos muito frágeis. O radier comporta-se bem para solos com SPT maior que 4. A intenção com o uso do radier é fazer com que a grande laje que o constitui tenha rigidez suficiente para evitar que um apoio recalque mais que o outro, evitando assim o recalque diferencial (REBELLO, 2008). Lembrando que recalque é o movimento vertical descendente de um elemento estrutural (NBR 6122/1996).
Segundo Brito (1987), o radier é executado em concreto armado, uma vez que, além de esforços de compressão, devem resistir a momentos provenientes dos pilares diferencialmente carregados, e ocasionalmente a pressões do lençol freático (necessidade de armadura negativa).
O radier pode substituir a fundação de sapatas isoladas. O seu uso torna-se econômico quando a soma das áreas das sapatas for superior à metade da área da projeção do edifício (REBELLO, 2008). Conforme Brito (1987), a utilização de sapatas corridas é adequada economicamente enquanto sua área em relação à da edificação não ultrapasse 50%. Caso contrário é mais vantajoso reunir todas as sapatas num só elemento de fundação denominado radier.
O radier é também uma boa solução para habitações populares. Essas habitações são geralmente projetadas com alvenaria estrutural. As alvenarias são apoiadas diretamente sobre o radier, que neste caso normalmente não apresenta vigamentos. Para se tornar uma solução mais econômica para esse tipo de habitação, o radier pode ser aproveitado como contrapiso (REBELLO, 2008).
Comportamento estrutural e execução do radier
Rebello (2008) aponta que, do ponto de vista de comportamento estrutural, o radier pode ser visto como a estrutura de um piso invertido, em que a carga é a reação do solo (igual à tensão aplicada ao solo) e os apoios são os pilares. Como o radier pode ser assimilado a um piso, a sua estruturação pode ser feita de maneira semelhante à dos pisos convencionais, ou seja:
- lajes, vigas e pilares;
- lajes nervuradas em uma só direção e grelhas;
- lajes e pilares, ou seja, laje cogumelo sobre o radier ou laje sem viga.
Para Barros (2003), no controle de execução do radier devem ser observados:
- locação dos eixos dos pilares;
- cota do fundo da escavação;
- nivelamento do fundo da escavação;
- colocação dos componentes das instalações e passagens, enterrados.
O radier consiste em formar uma placa contínua em toda a área da construção com o objetivo de distribuir a carga em toda a superfície, o mais uniformemente possível, para tanto se constrói em concreto armado com armadura cruzada na parte superior e na parte inferior (AZEREDO, 1977).
Alvenaria estrutural
Segundo Cavalheiro (1998), a alvenaria estrutural tem suas origens na Pré-História. É assim um dos mais antigos sistemas de construção da humanidade.
Entre os diversos sistemas construtivos alternativos introduzidos no país nas últimas décadas, objetivando diminuir o déficit habitacional – sendo a maioria importados e não/ou mal adaptados à nossa realidade – parece ser a alvenaria estrutural o mais compatível com as condições de nossa cultura construtiva, tanto do ponto de vista de absorção e adequação de mão-de-obra, quanto das possibilidades de racionalização e diminuição de custos, mesmo sem garantia de demanda, pela ausência de uma política habitacional duradoura. Economia, segurança, qualidade e rapidez de execução permitem à alvenaria estrutural adequar-se tanto às obras populares como de padrões mais elevados (CAVALHEIRO, 1998).
Sabbatini (2003) define alvenaria como o componente complexo, conformado em obra, constituído por tijolos ou blocos unidos entre si por juntas de argamassa, formando um conjunto rígido e coeso.
Conforme Cavalheiro (1998), os sistemas estruturais mais empregados nas construções residenciais, comerciais e industriais podem compreender: Estruturas Lineares, formadas predominantemente por elementos lineares alongados, constituindo reticulados e Estruturas Laminares, formadas por elementos laminares planos, funcionando como chapas, quando as cargas atuam no seu plano médio ou placas, quando as cargas atuam perpendicularmente ao plano médio.
Para Sabbatini (2003), a Alvenaria Estrutural é a alvenaria utilizada como estrutura suporte de edifícios e dimensionada a partir de um cálculo racional. Cavalheiro (1998) aborda que a dupla função que seus elementos básicos (paredes) desempenham nas edificações, ou seja, vedação e resistência, a estrutura, praticamente, confunde-se com o próprio processo construtivo. O uso de alvenaria estrutural pressupõe (SABBATINI, 2003):
- segurança pré-definida (idêntica a de outras tipologias estruturais);
- construção e projeto com responsabilidades precisamente definidas e conduzidas por profissionais habilitados;
- construção fundamentada em projetos específicos (estrutural-construtivo), elaborado por engenheiros especializados.
Cavalheiro (1998) define que, condicionado à função das armaduras, a alvenaria estrutural pode ser subdividida em:
- Alvenaria Estrutural Não Armada;
- Alvenaria Estrutural Armada;
- Alvenaria Estrutural Parcialmente Armada;
- Alvenaria Estrutural Protendida.
A construção de edifícios em alvenaria estrutural deve ser feita em obediência a técnicas específicas e métodos construtivos para se obter estruturas seguras, confiáveis e com a durabilidade esperada. Apesar do enfoque principal ser a execução das paredes estruturais são, também feitas exigências em relação à execução de lajes, pois a deficiente execução das mesmas pode resultar em fissuras e trincas na alvenaria e nos revestimentos, prejudicando o desempenho e a durabilidade da estrutura, bem como comprometer o desempenho estrutural do edifício (SABBATINI, 2003).
É absolutamente necessário que as forças que atuam nas edificações sejam muito bem conhecidas, na sua intensidade, direção e sentido, para que a concepção estrutural seja coerente com o caminho que essas forças devem percorrer até o solo e para que os elementos estruturais sejam adequadamente dimensionados (REBELLO, 2000).
Nas estruturas em alvenaria estrutural as paredes, por serem resistentes, absorvem os esforços e assim todas as cargas acabam por ser distribuírem em superfícies maiores, sapatas corridas ao longo de todo o perímetro das paredes resistentes, resultando em baixas tensões no solo. No caso de fundação em estacas, as seções das vigas baldrames na alvenaria estrutural resultam bastante reduzidas, face ao aproveitamento da rigidez da parede que é resistente – efeito arco. Por outro lado, uma parede definida resistente não pode ser remanejada posteriormente pelo usuário, enquanto no concreto armado a liberdade de remoção é total (CAVALHEIRO, 1998).
DICAS DE LEITURA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
INTERNET:
BARROS, M. Tecnologia da construção de edifícios I – Fundações. São Paulo: EPUSP, 2003. Disponível em:
<pcc2435.pcc.usp.br/pdf/Apostila%20Fundações%20PCC2435%202003.pdf>. Acessado em: 24 Fevereiro 2012.
CAVALHEIRO, O. P. Alvenaria estrutural – Tão antiga e tão atual. Santa Maria: UFSM, 1998. 8p. Disponível em:
<www.ceramicapalmadeouro.com.br/downloads/cavalheiro1.pdf>. Acessado em: 27 Fevereiro 2012.
SABBATINI, F. H. Alvenaria estrutural: materiais, execução da estrutura e controle tecnológico. Brasília: Caixa Econômica Federal, 2003. 36p. Disponível em: <www1.caixa.gov.br/gov/gov_social/municipal/programa_des_urbano/inov_tecno/alvenaria_estrutural/index.asp>. Acessado em: 27 Fevereiro 2012.
LIVROS:
AZEREDO, H. A. O edifício até sua cobertura. São Paulo: Ed. Edgar Blücher, 1977.
BRITO, J. L. W. Fundações do edifício. São Paulo: EPUSP, 1987.
REBELLO, Y. C. P. A concepção estrutural e a arquitetura. São Paulo: Zigurate Editora, 2000. 271p.
REBELLO, Y. C. P. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate Editora, 2008. 239p.
NORMAS BRASILEIRAS REGULAMENTADORAS:
ABNT (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS). NBR 6122/1996 – Projeto e execução de fundações. Rio de Janeiro: ABNT, 1996.
TCC E DISSERTAÇÃO:
CAPELLO, A.; ROCHA, E. L. B.; SOUZA, I. F.; MELATO, R.; SCARELLI, S. R. G. G. Patologia das fundações. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação). Jundiaí: Faculdade Anhanguera de Jundiaí, 2010. 115p.
MIOZZO, L. G. Estudo do comportamento de sapatas de concreto armado assentes sobre solo sedimentar da região de Santa Maria. Dissertação (Mestrado). Santa Maria: UFSM, 2007. 170p.