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Planta daninha é qualquer ser vegetal que cresce onde não é desejado. Dentro dessa definição ampla também pode se enquadrada como tal a tiguera de culturas que vegetam espontaneamente em lavouras subsequentes àquelas. As plantas daninhas quando crescem juntamente com as culturas interferem no seu desenvolvimento reduzindo-lhes a produção. Competem pela extração dos elementos vitais: água, luz, dióxido de carbono e nutrientes e exercem inibição química sobre o desenvolvimento das plantas, conhecida como alelopatia (LORENZI, 1986).
Esse conceito reflete um tipo de ponto de vista: da agricultura. No entanto, a classificação em planta daninha ou não depende do tipo de área e do objetivo da intervenção no local.
Uma planta considerada daninha numa pastagem pode não ser daninha numa área de floresta nativa. Bem como uma planta considerada daninha no cultivo agrícola pode não ser daninha num jardim urbano ou num espaço para o cultivo de plantas medicinais. Vamos aos exemplos.
O Picão-preto (Bidens pilosa L.), uma planta anual, herbácea, ereta, de 40-120 cm de altura, é considerada daninha em áreas agrícolas (LORENZI, 1986). Esta planta apresenta diversas propriedades medicinais, como adstringente, antibacteriana e antibiótica. O Portal Plantamed cita 46 propriedades medicinais do Picão-preto, com indicações para aftas, amigdalite, cicatrização, colesterol, entre outras.
Outro vegetal, a Falsa-serralha ou Serralhinha (Emilia sonchifolia DC.), uma planta anual, herbácea, ereta, de 20-60 cm de altura, também é considerada daninha na agricultura (LORENZI, 1986). A mesma apresenta indicações para asma e febre, além de ser um potencial enriquecedor de jardins, por ser atrativa de borboletas.
A Serralha ou Chicória-brava (Sonchus oleraceus L.) é classificada como planta daninha em áreas agrícolas (LORENZI, 1986). Esta planta anual, herbácea, leitosa e ereta, de 40-110 cm de altura, apresenta 13 propriedades medicinais, indicada para cirrose, diarréia, dores de ouvido, hepatite, entre outros. Pode ser utilizada crua, em saladas, refogada e em chás (por decocção ou infusão).
Quem sofreu com problemas de rim, fígado ou urinários, provavelmente já recorreu ao “Quebra-pedra” (Phyllanthus sp.), também considerada daninha em áreas agrícolas. O Portal Plantamed aponta 38 propriedades medicinais desta planta, entre elas: analgésica, antiséptica, antidiabética e anticancerígena. Suas utilizações mais comuns são para os casos de ácido úrico, afecções urinárias e do fígado, bem como pedras e cálculos renais. São bastante rústicas nos jardins, necessitando de muito pouco ou nenhum cuidado específico.
Outra espécie interessante é a Língua-de-vaca ou Arnica (Chaptalia nutans (L.) Polak.), uma das plantas consideradas daninhas mais comuns em pastagens e áreas verdes. Indicada para doenças da pele, catarro, dor de cabeça, feridas, insônia, entre outros. Seu cultivo exige solos férteis (ricos em matéria orgânica) e umidade (regas frequentes). Como resultado do seu cultivo, belas flores que enfeitam as áreas verdes, além de proteção ao solo.
Considerações finais
De fato, as plantas precisam ser identificadas com relativa precisão, para que sejam ministradas corretamente. Esta é uma dificuldade comum, pois as plantas são conhecidas pelos nomes populares, que muitas vezes são denominações de uma gama de espécies vegetais.
A utilização de plantas medicinais é uma tradição familiar, mantida, principalmente, pelos mais velhos (que, no passado, residiram nas áreas rurais), conhecimento este que muitas vezes não é continuado no ciclo familiar, por desinteresse dos mais jovens.
Muitas espécies vegetais não são utilizadas pelas pessoas, por serem consideradas daninhas ou “maria-sem-vergonha”. No entanto, apresentam propriedades paisagísticas, ambientais e medicinais de grande interesse, inclusive, algumas destas plantas são muito eficientes em tratamentos preventivos e/ou de recuperação médica.
Portanto, a resposta para o que seria uma planta daninha é: Depende...
DICAS DE LEITURA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LORENZI, H. Manual de identificação e controle de plantas daninhas: Plantio direto e convencional. Nova Odessa: H. Lorenzi, 1986. 240p.
PLANTAMED. Plantas e ervas medicinais, fitoterapia e fitoterápicos. Disponível em: <www.plantamed.com.br>. Acesso em: 11 Julho 2012.