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A fundação profunda é adotada quando a fundação direta não for aconselhada, ou seja, quando o número de golpes da sondagem (SPT) maior ou igual a 8 estiver a profundidade superiores a 2 m. A fundação profunda transmite a carga da superestrutura através do seu corpo, usando o atrito entre ela e o solo e a resistência na sua ponta (REBELLO, 2008).
Azeredo (1977) explica que são fundações que têm o comprimento preponderante sobre a seção: as estacas e os tubulões. Para a cravação das estacas o processo mais usual é o emprego dos bate-estacas, os quais podem ser divididos, de acordo com o martelo usado, nos seguintes grupos: bate-estacas de gravidade, de simples efeito e de duplo efeito.
As fundações profundas são mais caras e normalmente com capacidades altas, por isso devem ser bem aproveitadas, o que significa usar cargas mais altas nos pilares, ou seja, concentrar cargas. Concentrar cargas, por sua vez, significa verticalizar o edifício ou criar vãos maiores entre pilares, situações que obviamente interferem radicalmente no projeto arquitetônico (REBELLO, 2008).
Apresentam peculiaridades que as tornam diferentes dos demais elementos das edificações. A elaboração do projeto está diretamente relacionada às características de execução de cada sistema de fundações profundas, não envolvendo apenas a adoção do perfil típico do solo e a análise através de teoria ou método específico de cálculo (MILITITSKY et al., 2008).
Podem ser classificadas em fundações moldadas in loco ou pré-moldadas. As primeiras são executadas furando-se o solo com um equipamento adequado e depois preenchendo o furo com concreto, podendo ou não ser armadas. Nas pré-moldadas, o elemento, de fundação – denominado estaca – é executado na indústria, sendo cravado no solo por equipamento apropriado, o bate-estaca (REBELLO, 2008).
Este tipo de fundação exige cuidados especiais para evitar a adoção de fundações inadequadas face ao comportamento específico do solo: estacas escavadas sem qualquer tipo de cuidado especial em solos instáveis ou em presença de água, resultando elementos com defeito; fundações profundas em solos colapsíveis ou expansivos sem cuidados especiais referentes à integridade e presença de ambientes agressivos (MILITITSKY et al., 2008).
Confira na lista abaixo alguns tipos de fundações profundas:
- Brocas;
- Estaca Strauss;
- Estaca escavada com trado helicoidal;
- Estaca hélice contínua;
- Estacas barrete;
- Estacas tipo Franki;
- Estaca raiz;
- Micro-estaca;
- Estacas de madeira, aço, concreto armado ou protendido;
- Estacas mega;
- Estacas vibradas quadradas ou circulares;
- Estacas T;
- Estacas metálicas helicoidais;
- Tubulões.
Estacas
São utilizadas, essencialmente, para transmissão de cargas a camadas profundas do terreno. Duas são as razões que levam ao seu emprego, técnicas e econômicas. É preferido o uso de estacas, por exemplo, quando a taxa admissível do terreno for inferior ao carregamento transmitido pela estrutura e quando a fundação direta ficar sujeita a recalque incompatível com a estrutura a ser construída. Quanto ao esforço a que estão sujeitas, podemos classificá-las em: estacas de compressão, de tração e de flexão. Normalmente as estacas são cravadas verticalmente e trabalham à compressão, entretanto as estacas-pranchas trabalham à flexão (AZEREDO, 1977).
Conforme o esforço aplicado há uma exigência diferente em relação à quantidade, à forma de distribuição e à qualidade de material. Alguns esforços exigem menos, outros mais; o que resulta numa hierarquia de esforços, ou seja, existem esforços mais econômicos do que outros quanto ao consumo de material e ao espaço ocupado pelas seções. Pode-se dizer que, em termos de dimensões das seções transversais das peças estruturais, os esforços de tração simples são os que apresentam desempenho mais favorável e os de flexão, menos favorável, ficando a compressão simples no meio termo (REBELLO, 2000).
As estacas são consideradas como o elemento de fundação profunda executado inteiramente por equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase de sua execução, haja descida de operário. Os materiais empregados podem ser: madeira, aço, concreto pré-moldado, concreto moldado in situ ou mistos (NBR 6122/1996).
Uma estaca nem sempre é executada conforme os requisitos definidos no projeto, pois depende da variabilidade das condições de campo. Além da possibilidade de variação das características do subsolo identificadas na etapa de investigação, existem limitações de capacidade de equipamento e de geometria (comprimentos e diâmetros, por exemplo), e as condições de campo, muitas vezes, obrigam a mudanças substanciais no projeto original. Fundações por estacas exigem uma comunicação eficiente entre o projetista e o executante, de forma a garantir que as reais condições construtivas sejam observadas e o projeto se adeque à realidade (MILITITSKY et al., 2008).
DICAS DE LEITURA E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LIVROS:
AZEREDO, H. A. O edifício até sua cobertura. São Paulo: Ed. Edgar Blücher, 1977.
MILITITSKY, J.; CONSOLI, N. C.; SCHNAID, F. Patologia das fundações. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. 207p.
REBELLO, Y. C. P. A concepção estrutural e a arquitetura. São Paulo: Zigurate Editora, 2000. 271p.
REBELLO, Y. C. P. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. São Paulo: Zigurate Editora, 2008. 239p.
NORMAS BRASILEIRAS REGULAMENTADORAS:
ABNT (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS). NBR 6122/1996 – Projeto e execução de fundações. Rio de Janeiro: ABNT, 1996.
Por Diego de Toledo Lima da Silva