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07/11/2009 - 11:45
Cirurgia Plástica - parte final

Hoje vamos finalizar nossas reflexões sobre cirurgia plástica. Deixamos o melhor para o final. Porque o melhor? Bom, espero que ao final vocês mesmos possam dizer. Como temos falado nas últimas semanas, a cirurgia plástica é um recurso bastante desenvolvido e temos profissionais muito competentes em nossa região. Como o preço não é proibitivo, como em épocas passadas, fica acessível a uma boa parcela da população. Daí que muita gente pensa seriamente em recorrer a ela. Mas, há uma série de dúvidas sobre o que esperar e como ela é feita. Para isso o melhor remédio é aquele que já sugeri: uma consulta com um cirurgião experiente. Como já disse outro dia, tem gente que tem receio de perguntar, mas quem gosta do que faz adorar falar sobre isso.
Muitas pessoas, por outro lado, ficam inibidas por acharem que, para elas, uma cirurgia seria um “exagero”, uma vaidade, ou mesmo que o que querem é tão pouco que “não precisam”. Para essas pessoas, eu diria que não há vaidade em querer algo que está à disposição para harmonizar ou melhorar um pouco a própria imagem.

Mas, a todos, eu faço um alerta e deixo um recado.

O alerta seria esse: examine muito bem as razões que o levam a pensar em uma cirurgia plástica. Muitas vezes, querem resolver com o bisturi algo se sua personalidade. Seria pedir muito ao já atarefado instrumento. Isso acontece quando “colocamos” no corpo um problema ou uma dificuldade nossa e pensamos que, com isso, ao nos livrarmos de um pedaço de nosso corpo, nos livramos do problema. Só que, infelizmente, isso não funciona assim. Vejam bem: não é um corpo perfeito que faz a mulher sensual, por exemplo. Já conheci mulheres lindas que são frias e desinteressantes, confusas e infelizes. E todos conhecemos mulheres de corpo bastante comum, que são muito atraentes e agradáveis. Seios pequenos não impediram que mulheres como Betty Faria, Deborah Secco e Isabel Filiardis, Daniela Perez, Malu Mader e muitas outras fossem consideradas símbolos sexuais. A falta de beleza física, de um rosto bonito, não impediram que homens como Jô Soares tenham consigo todo o sucesso e prestígio que obtiveram. Ou que homens sem os traços considerados “lindos” sejam tidos como extremamente atraentes, como Antônio Fagundes.

O truque é se gostar, se sentir bem, e cultivar simpatia, prazer de viver.

Uma carinha boa, um queixo afinado, uma cintura mais marcada, não salvam casamentos, não nos tornam mais interessantes. Não nos fazem engraçados, amigos, cúmplices, leves, companheiros, doces, fecundos, colaboradores...

Não se iludam, mesmo nesse mundo de consumo, o grande bestseller ainda é aquela pessoa que tem o incrível poder de nos fazer sentir vivos... aquela que nos ajuda a tirar da gente o melhor. Uma preocupação excessiva com a forma do corpo pode estar escondendo uma dificuldade bem mais íntima. É claro que é válido pensar e querer ter um corpinho mais legal ou uma cara mais agradável. Mas, isso está longe de ser o essencial para que os nossos relacionamentos sejam produtivos e agradáveis. Vamos pensar primeiro em sermos pessoas que façam diferença para os outros, vamos nos preocupar também em quanta vida passamos, nos sentimentos que podemos proporcionar, na compreensão e na amizade.

O corpo bonito, a cara certinha, só dão uma vantagem inicial, afinal, quem é bonito chama a atenção. Mas, é preciso ter cacife pra bancar o resto da relação. E o que agrada, o que faz sucesso é nossa maneira de ser, a maneira como deixamos o outro à vontade, como construímos uma boa amizade ou um bom relacionamento. Ser um sucesso, ser querido e admirado é algo muito mais consistente do que ser bonito. Quem se apresenta só como embalagem, acaba sendo descartável, se sentindo vazio e desvalorizado.

Psicólogo clínico – membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática
Mestre em Neurociências – USP
e-mail jpcorreialima@gmail.com
 

Por João Paulo Correia Lima
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Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.