ATIBAIANEWS.COM.BR
Busca de Notícias
ARTIGOS  -  AGENDA  -  FOTOS  -  CONTATO
25/10/2009 - 19:55
A Excursão do Planalto

Quando não se esbalda em viagens de importância nem sempre comprovada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não perde chance de aparecer ao lado de sua candidata e assim insistir na transferência do seu prestígio eleitoral. O marketing pela alçada de Dilma Rousseff à corrida eleitoral do ano que vem já está em curso há meses, senão desde o começo do ano. Lula só não assina embaixo a transgressão de campanha antecipada porque, embora recheada de censura, ainda há imprensa para fiscalizar as manobras do governo. O Planalto sabe que o tempo não para, e por isso não se dá ao luxo de respeitar as normas da lei que aludem a disputas eleitorais. Prova disso foi a manifestação de descaso disparada ao longo dos três dias que a comitiva petista passou às margens do Rio São Francisco para supostas “vistorias” de rotina.

Obras federais nunca dispensam inspeções técnicas periódicas, em especial as de grande e médio porte. O problema, porém, começa no título da excursão, que de “vistoria” não teve nada. Qualquer empresa de domínio privado, quando na obrigação de checar um determinado posto de investimento, seja em construções físicas ou operações de negócio, não escala a presidência nem a mesa diretora. Nomeia agentes técnicos de conhecimento específico para gerenciar e talvez solucionar a problemática. Também para empresas de domínio público – e aqui se incluem pastas e os próprios ministérios –, o procedimento é padrão. O que o Planalto fez, ao bancar passagem para uma penca de agentes políticos e jornalistas brasileiros e estrangeiros, usando o pretexto de “vistoria” legal, foi no mínimo brincar com o discernimento alheio.

Já o motivo da viagem foi maquilado a cântaros, só perdendo para as loções faciais da ministra da Casa Civil. Tentaram o pouco que puderam para abafar o caráter estritamente político do giro por Minas Gerais, Pernambuco e Bahia, mas a língua do presidente acabou quebrando o silêncio preventivo. Na quarta-feira, em Buritizeiro (MG), Lula se traiu ao dizer que no projeto original da operação caça-votos “não estava previsto a gente (sic) fazer comício”. É o que basta para atestar o incabível custeio público de um recesso interno de três dias para fins de todo eleiçoeiros. Pararam a máquina pública para pescar, descançar e discursar num reduto invariável e majoritariamente (80%) favorável à causa presidencial - seja ela qual for.

A transposição do São Francisco remonta aos tempos do Segundo Império. Desde lá, sempre foi motivo de polêmica entre leigos e iniciados, sem que se chegasse a consenso algum. Então vem um presidente banhado em popularidade, não só nacional como internacional, e decreta o início da obra como se fosse de projeto seu, orçamento seu e iniciativa sua. Tudo regrado a propaganda oficial, obviamente bancada com o dinheiro do erário. Tudo bem que a contribuição saísse do bolso de apenas parte do colégio eleitoral do país – aquele composto da grossa massa popular, do operariado ao sindicalismo, pastoreado pela militância de esquerda. Mas o Tesouro é de todos, sem distinção de partido ou ideal político. Lula, Dilma e um parasita chamado Ciro Gomes, também convidado da excursão presidencial, manipulam o gogó para convencer a todos da legitimidade dos eventos que, sob o seu comando, não viram senão palanque de demagogia.

Esse elemento da filosofia política, por sinal, jorrou de maneira quase literária dos discursos feitos em Custódia (PE). No segundo dia da viagem, Lula mais uma vez apelou para o romântico ao afirmar sua experiência de sofrimento durante a infância: “eu, com sete anos, carreguei pote de água na cabeça, eu sei o sacrifício”. Donde se conclui… o que mesmo? Absolutamente nada. A verborragia ou é recheio de caramelo para a falta de conteúdo ou é pura dialética para satisfazer a ignorância da plateia ouvinte. Considerando que o comício foi para operários de um trecho do empreendimento, adota-se a segunda opção. Até porque espectador menos estudado é alvo preferido do presidente. Ou será que ninguém notou a aplicação romana do pão (Bolsa-Família) e circo (Rio 2016) aqui nos baixos trópicos?

A certeza da semana foi a pauta de Dilma para a contenda de 2010. Se depender de Lula, a tática de transformar eleição presidencial em plebiscito será tecla batida. A ideia é sair comparando os dois mandatos do PT com os outros dois do PSDB. Mas o que está por trás desta cartada não é só levar vantagem sobre o legado de Fernando Henrique ao governo sucessor. Lula e os satélites que o rodeiam querem é trazer de volta a luta de classes do século 19 à realidade do 21. E farão de tudo para pintar o antagonismo explorado-explorador nas cores do povo que “bebe água barrenta, com caramujo e tudo” e da aristocracia que consome água mineral importada. Só por isso já se conclui a torta visão dos membros deste governo, que não poupam esforços para seguir a ladainha da Venezuela, do Irã, da Líbia, e agora de Honduras.

Tudo isso sem falar na discordância da recente diplomacia brasileira quanto à condenação a abusos de direitos humanos no Congo, Sri Lanka e Coreia do Norte, levada a cabo por resolução das Nações Unidas. Na prática, foi um tiro no pé para um ávido pretendente a cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Se Lula quisesse mesmo o Brasil dentro do Conselho, teria de cortar sua política Sul-Sul, parar de abrir embaixadas em países da África e Caribe, exonerar o esdrúxulo Marco Aurélio e o pau-mandado Celso Amorim das relações exteriores e acabar com a blitzkrieg do mundo subdesenvolvido. Somos privilegiados com a “marolinha” da recessão e tudo o que Lula faz é jogar esse prestígio pela janela.

Tal progresso econômico, aliás, será marca registrada da campanha de Dilma. Falta menos de um ano para o pleito de sua sucessão, e só o que o presidente faz é gerar capital político para investir em sua candidata. Em hora crítica, vale tudo. Até mesmo bancar uma excursão pelo Nordeste para expor a agora sorridente ministra-poste. Já se é de notar, aliás, as profundas transformações nas feições da mulher. Distribui sorrisos, acena à toa, e reza em praça pública a torto e a direito para quem quiser ver. E vale realmente tudo para garantir propósitos que amiúde se mostram fora da lei. A caravana do São Francisco foi só mais um exemplo de como, neste governo, a administração é posta à margem da agenda e o erário é usado à revelia do interesse nacional.

O autor é estudante do Etapa
____

Nota da redação

O Atibaia News, toma a iniciativa de abrir um espaço novo e bem interessante, a coluna do estudante. Esta coluna tem o intuito de motivar e incentivar os estudantes, independentes de qual grau de escolaridade, para se expressarem, relatando suas opinições sobre um fato político, histórico, literatura, cultura ou arte. Não queremos competições e sim liberdade de expressões. Os textos recebidos serão selecionados e publicados na nossa coluna toda segunda feira. Esperamos com esta iniciativa acolher jovens talentos e transformar o futuro educacional em um sucesso promissor.

Os textos devem ser enviados para
ionebonfim@hotmail.com

Por Yan Rodrigues dos Santos
0 comentários para este artigo
Deixe seu comentário
* Todos os campos são obrigatórios;
* Seu email não será divulgado no site;
* Seu comentário será validado pelo colunista antes de ir ao ar (comentários com ofensas pessoais ou insultos não serão publicados);

Nome:

Email:

Comentário:


Digite as duas palavras que você vê abaixo:


 Terça, 13 de Outubro de 2009
08:00 - Dia dos Professores

 Segunda, 20 de Julho de 2009
11:00 - A Magia Agora é Negra

 Quinta, 16 de Julho de 2009
09:45 - A Sombrinha da Impunidade

 Quinta, 09 de Julho de 2009
13:00 - A Arte de Vender Livros

 Domingo, 28 de Junho de 2009
20:45 - Nós e a Gripe dos Porcos

 Sábado, 20 de Junho de 2009
15:30 - A VERDADEIRA ARTE NÃO TEM 'RAZÃO DE SER'

 Segunda, 15 de Junho de 2009
09:00 - O QUE UM BEST-SELLER TEM DE BOM

Na sua opinião o prefeito Saulo está fazendo uma boa administração?
sim
não
Não se trata de pesquisa eleitoral, prevista no artigo 33 da Lei 9.504/97 e sim de mero levantamento de opiniões sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado.