ATIBAIANEWS.COM.BR
Busca de Notícias
Transporte - 20/07/2010 - 07:14
Obras do Trânsito e as críticas que a STT recebe

Clique para ampliar ou ver outras fotos
 

Em entrevista ao AN, a secretária de Transportes e Trânsito Cláudia Nogueira falou sobre as realizações e dificuldades da STT

Adriana Carvalho

Desde o início de 2009, quando a Secretaria de Transportes e Trânsito foi criada em Atibaia, uma infinidade de melhorias foram implantadas no setor. Apesar das mudanças, tanto a pasta quanto a secretária Cláudia Maria Nogueira continuam sob os olhares críticos da imprensa, dos vereadores e também da comunidade. Os motivos? Sempre os problemas da região central e as multas aplicadas.

Para a secretária, as reclamações e solicitações são mais direcionadas a partir da criação da Secretaria. ”Quando existia apenas o Departamento de Trânsito dentro da Secretaria de Segurança Pública, as reclamações eram de forma generalizada”, diz. “Hoje as pessoas buscam a solução para os seus problemas no lugar onde elas sabem que é a referência para a questão que envolve o trânsito, na unidade administrativa criada para isso”, continuou.

Parte dos radares móveis que eram utilizados na cidade não está sendo usada desde o início do ano. Vários locais vão passar por estudo para que se verifique a questão da velocidade máxima até então aplicada. Vias cujo limite atual é de 30 ou 40 quilômetros por hora podem sim ter esse número aumentado. Dependendo do resultado do estudo.

Em relação à aplicação de multas relacionadas à falta de cinto de segurança e uso de telefone celular, por exemplo, a secretária não acredita que haja necessidade de campanhas educativas. “Se a pessoa dirige, entendo que ela possui a Carteira Nacional de Habilitação”, diz. Então ela passou pelos exames exigidos, e obrigatoriamente, conhece a legislação de trânsito”, continuou. “Não temos necessidade de explicar que não pode falar ao telefone e que é obrigatório o uso do cinto de segurança. É público”, destacou Cláudia.

Estrutura

De outro lado, se a Secretaria de Transportes e Trânsito partiu de um departamento que já existia, o orçamento não foi alterado. “Posso dizer que, além da estrutura que já existia, tenho hoje um diretor de Trânsito e outros cargos que me auxiliam administrativamente”, explicou Cláudia. “Mas ainda não aumentamos o quadro operacional em virtude de concurso público e dotação orçamentária”, prosseguiu. “Tenho, por exemplo, uma equipe de sinalização. Se ela está em um lugar, não pode ir para outro”, completou a secretária.

Ainda que de forma apertada, a STT implantou várias melhorias em Atibaia. Dois dos pontos de maior conflito, por exemplo, eram a entrada de Atibaia na Avenida Carvalho Pinto, nas imediações do posto de combustíveis Pedra Grande e a Avenida Flávio Pires de Camargo, em frente ao Supermercado Saito. “Nossa maior meta é exatamente resolver as questões que envolvem pedestres”, explicou a secretária. “O prefeito vê dessa forma também e isso será sempre prioridade para a Secretaria”.

Mas as mudanças não se resumem apenas na implantação de semáforos. A STT é responsável por uma infinidade de atribuições que nem sempre são notadas pela população e mesmo pela imprensa. Desde o ano passado, foram implantados 50 novos redutores de velocidade. Outros 70 aguardam execução da Secretaria de Infra-Estrutura.

A STT desenvolve o estudo, verifica a real necessidade e a Infra-Estrutura implanta. “Abrimos carta-convite para contratar uma empresa que vai implantar parte desses redutores e assim minimizar os problemas da população”, disse Cláudia. “O primeiro local será a Avenida Santana”.

Outro local que também representava perigo e que hoje conta com semáforo é a Avenida Cristóvão Bragion, que cruza com a Alameda Lucas Nogueira Garcez e fica perto do Centro de Convenções. “Ali ainda faremos uma alteração que vai beneficiar ainda mais os usuários”, disse Cláudia. “Haverá uma alça de acesso específico para quem segue sentido Estância-Vila Santista. Não será necessário parar no semáforo, a subida será livre nesse sentido”, explicou. “A implantação ainda não aconteceu porque dependemos da desapropriação de um trecho onde a alça vai avançar. O projeto está pronto e existe a possibilidade de ser implantado ainda em 2010”, concluiu Cláudia.

Em vários locais, a STT implantou melhorias para a acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais. No terminal rodoviário, por exemplo, que recebeu ainda, novos pontos de ônibus.

Entretanto, além desses pontos citados, a STT sinalizou as estradas Mingu e Pedreira, no Bairro da Pedreira; a Isaichi Takebayashi, na Usina e outras localidades rurais.

Imprensa

Cláudia não vê as críticas que recebe da imprensa, de forma pessoal. “Sempre encaro as críticas de forma profissional e tento buscar o que realmente é importante para a Secretaria e que vai reverter em benefício para a população”, declarou. “Acredito firmemente que todas as críticas têm um fundamento de interesse público e, ainda que de forma ríspida ou até deselegante, os exageros por parte da imprensa por vezes são considerados pela Justiça como um mal necessário” disse a secretária. “Vejo a imprensa como parceira, como colaboradora da Secretaria, assim como a população e a Ouvidoria Municipal e acho que isso faz parte do meu trabalho, do trabalho da STT”, conclui.

Para a secretária, as críticas servem como estímulo, não como forma de intimidação.

Câmara Municipal

Raramente uma sessão da Câmara Municipal de Atibaia transcorre sem que haja menção à Secretaria de Transportes e Trânsito. Geralmente os vereadores apresentam requerimentos sobre uma gama de assuntos, mas, sempre sobra algo relacionado à STT.

“A Câmara Municipal, por meio dos vereadores, cumpre a função de dar voz aos eleitores. Cada vereador representa o seu nicho e o trânsito afeta todo mundo de forma ampla e global”, aponta Cláudia. “O que é possível melhorar, o que é relevante e pertinente, mesmo que colocado de forma negativa ou ácida, eu considero sempre”, informou.

Prioridades

A secretária admite as deficiências da STT e as dificuldades relacionadas ao excesso de veículos. Mas garante que existe empenho por parte de toda a equipe. “Em Atibaia a demanda é enorme e não foi atendida ao longo de anos exatamente por falta da pasta que está iniciando o trabalho nessa gestão”, explicou. “Mas eu e a minha equipe queremos atender a população. Para isso, trabalhamos com motivação, nossa jornada vai de 8 a 12 h por dia, aos domingos e feriados”, detalhou.

Entretanto, Cláudia lembrou que há prioridades que tem que ser respeitadas. “Tudo o que recebo é despachado e será executado dentro da ordem de prioridades”, alega. “Não posso atender pontualmente os pedidos, existe uma demanda e temos as prioridades, cuja lista é encabeçada pela solução de conflitos de pedestres, como já destaquei. Aqui nada é colocado debaixo do tapete. Peço que a população entenda essa relação entre o que é prioritário e o que pode esperar”, destacou Cláudia.

Obras no Trevo da Loanda


Exatamente um função da questão prioridade, a STT está trabalhando na ordenação do tráfego de veículos no entorno do AME, o ambulatório Médico de Especialidades que deverá ser inaugurado no primeiro semestre. “Abrimos uma via, mudamos a mão de direção, a sinalização está sendo implantada de forma que o local possa receber o aumento de fluxo de veículos que vai acontecer a partir do funcionamento da unidade médica”, explicou a secretária (veja matéria)

Outro ponto que está em obras é a entrada do Jardim dos Pinheiros. O local vai receber pavimentação da alça de acesso ao bairro, semáforo, faixa de pedestres e todos os demais itens pertinentes. “Ali é um local perigoso, que os veículos chegam da rodovia Dom Pedro para tomar o acesso ao bairro e tem que cruzar a Jerônimo de Camargo”, lembrou Cláudia.

Obras no Jardim dos Pinheiros

 Calcanhar de Aquiles

Ao longo de mais de 340 anos, Atibaia nunca teve planejamento no setor de tráfego de veículos. O que por óbvio culminou com uma série de problemas detectados, em especial, na região central da cidade. O crescimento da frota de veículos, que hoje em Atibaia gira em torno de um veículo para casa dois habitantes (cerca de 70 mil licenciados na cidade) aumenta ainda mais a probabilidade dos congestionamentos.

Isso tudo somado à falta de respeito às regras de trânsito torna o centro da cidade impraticável.

Entretanto, a única medida efetiva capaz de minimizar os problemas é a implantação da Zona Azul, cujo edital de licitação deve ser aberto nas próximas semanas.

Com isso, o número de vagas vai aumentar – são cerca de 1,8 mil no Centro – cuja demarcação e sinalização ficará a cargo da empresa vencedora do certame.

Para quem só sente a obrigação de cumprir regras a partir do ´bolso`, e quiser deixar o carro estacionado o dia inteiro no mesmo lugar, terá que pagar por isso. Certamente a rotatividade vai aumentar e com isso a melhora será sentida na fluidez do tráfego.

Por outro lado, a Secretaria de Transportes e Trânsito aguarda a homologação do concurso público, cujas provas práticas para o cargo de motorista ainda estão em fase de conclusão, para então contratar pelo menos cinco agentes de fiscalização de trânsito.

“Não existe nenhuma solução mágica que vá resolver os problemas de tráfego de veículos na região central da cidade”, aponta a secretária. “As ruas não serão alargadas e não existe a menor possibilidade, por exemplo, de se construir um viaduto”, continua. “Nesse momento, a única medida viável é a implantação da zona azul, a fiscalização, que vai aumentar a partir da contratação de agentes e o respeito às regras de trânsito”, concluiu.

Exatamente por falta de ordenação nas vagas de estacionamento, o trânsito acaba estrangulado em razão da busca por um local para estacionar. Também a questão da parada a menos de cinco metros das esquinas influencia no fluxo de veículos.

No Centro, há que se contar com o bom senso da população.

Albertina

Em dezembro do ano passado, a secretária Cláudia, esteve em Brasília, em reunião com o titular da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Luiz Carlos Bueno de Lima (leia reportagem)

O objetivo do encontro foi levar dados técnicos sobre o Projeto de Orientação de Trânsito, na tentativa de viabilizar um programa de sinalização e de solução de problemas crônicos de Atibaia, como o cruzamento que dá acesso à Rua Albertina Mielli Pires.

Na semana passada, a deputada federal Aline Correa, que acompanhou o encontro, anunciou a liberação de R$ 500 mil para o setor de Trânsito de Atibaia. “A obra da Albertina, que tem uma série de quesitos por tratar-se de local em declive, necessidade de camada asfáltica e outros detalhes, vai custar cerca de R$ 480 mil”, explicou Cláudia. “Enfim vamos poder executar e acabar com os problemas naquele cruzamento tão logo a verba seja liberada. O projeto está pronto. É chegar o dinheiro e fazer a obra”, comemorou a secretária.

Não há como prever se a verba de fato chegará ainda em 2010. Por tratar-se de ano eleitoral, existe a possibilidade que o dinheiro seja liberado apenas a partir de novembro, depois da eleição.

Se foram mais de 340 anos de espera por melhorias, esperar até o fim de 2010 para solucionar os problemas do cruzamento da Albertina Mieli Pires não representa nada. 


Fonte: Atibaia News (www.atibaianews.com.br)

CLIQUE AQUI e cadastre-se gratuitamente no Alertas do Google para receber as últimas notícias do Atibaia News por e-mail.