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Entrevistas - 06/07/2010 - 16:05
Atibaia nas eleições 2010: Beto Tricoli e Rose Daré vão disputar vaga na Assembléia Legislativa

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O cenário político de Atibaia frente às eleições de outubro de 2010 já está definido. Concorrem à vagas na Assembléia Legislativa paulista o ex-prefeito de Atibaia, Beto Tricoli, do PV e a empresária Rose Daré, do PTC.

O terceiro postulante a uma cadeira na AL, o bacharel em Direito Cleber Gerage disse em nota enviada por email ao Atibaia News que ‘renunciou ao pedido de legenda para disputar uma vaga a deputado estadual em São Paulo”. O PSTU, entretanto, nega a versão e afirma que jamais foi cogitada a possibilidade de Cleber ser candidato pelo partido.

“Atibaia não tem nenhum candidato”. Cleber Gerage é apenas filiado. O nome dele nunca foi cogitado porque ele não tem atuação ou vida política dentro do PSTU” , disse o delegado da agremiação, Francisco Fábio Ferreira de Almeida, o ‘Fábio Zona Sul’.

Ainda de acordo com o delegado, a atuação política do PSTU em Atibaia ocorre por meio dos diretórios de Campinas e de Guarulhos.

CONFIRMAÇÕES

O primeiro a ser confirmado como candidato a deputado estadual em Atibaia foi o ex-prefeito Beto Tricoli, na convenção do Partido Verde em São Paulo, realizada no dia 19 de junho. Rose Daré confirmou na tarde desta terça-feira (6) ao Atibaia News que concorre às eleições. “Fui a São Paulo ontem (5) para concluir a documentação que foi enviada para o registro da minha candidatura. Nossa convenção ocorreu no final do mês, e o convite para a disputa me foi feito de última hora”, declarou Rose.

Pela ordem de homologação de candidaturas, o Atibaia News divulga entrevista com o candidato Beto Tricoli. A próxima reportagem vai abordar a candidatura de Rose Daré.

ENTREVISTA

Como candidato, Beto Tricoli falou da primeira batalha: mostrar que não se enquadra no ‘ficha suja’

“Quando assumi a Prefeitura de Atibaia, muitas pessoas perderam privilégios. Meus detratores, que antes se beneficiavam, sabiam exatamente o que estava errado e se tornaram denunciantes”

Adriana Carvalho

A disputa por uma cadeira na Assembléia Legislativa de São Paulo como legítimo representante de Atibaia começa nesta terça-feira (6) para o ex-vereador e ex-prefeito da cidade, Beto Tricoli. Sob ameaça de não obter legenda do Partido Verde, Beto driblou seus adversários e o jogo que move as engrenagens da oposição na cidade. A longa caminhada esbarrou na recente lei federal ‘Ficha Limpa’. Com uma condenação em órgão colegiado, Beto correu o risco de não ver sua candidatura homologada pelo partido para concorrer à eleição de outubro.

“Não havia motivo para minha candidatura não ser homologada pelo PV”, disse. “A lei do ficha limpa em suma, não permite condenações do tipo: improbidade administrativa que resulte em enriquecimento ilícito e danos ao erário”, lembrou Beto.

A condenação do ex-prefeito de Atibaia aconteceu no processo que trata dos contratos emergenciais firmados desde 2001 entre a Prefeitura e a Viação Atibaia São Paulo, concessionária do transporte coletivo na cidade. Além do então prefeito Beto Tricoli, foram condenados o também ex-prefeito, Pedro Maturana (1996-2000), que deu início aos contratos emergenciais e a VASP.

“Não me neguei a abrir a concorrência pública, mas encontrei dificuldades em alterar a lei municipal que previa a contratação da concessionária de transporte coletivo. A lei tinha vícios e estava direcionada”, explicou. “A conclusão do edital também foi outra batalha. Enquanto isso não aconteceu efetivamente, tive que manter a Viação Atibaia em contratos emergenciais ou então, não teríamos transporte coletivo na cidade”, detalhou Beto. “Não enriqueci e meus atos não trouxeram danos ao erário. Também não tive contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas”, completou.

A propagação de que Beto Tricoli tem a ‘ficha suja’ e que não poderia ser candidato, em algum momento remeteu o eleitor ao cenário político nacional. Já vimos governadores e deputados esconderem dinheiro na cueca, nas meias e firmarem acordos milionários de desvio de dinheiro público.

Ou, o ‘ficha suja’ nos lembra, simplesmente, o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo e atual deputado federal Paulo Maluf.

Maluf já foi inserido na lista de procurados da Interpol por ter a prisão decretada pela Justiça americana após investigação do MP paulista e de Nova York, acusado de conspiração; auxílio na remessa de dinheiro ilegal e roubo de dinheiro público em São Paulo. Maluf é acusado de desviar recursos das obras da Avenida Água Espraiada e remetê-los para Nova York e em seguida para a Suíça, Inglaterra e Ilha de Jersey, um paraíso fiscal. Depois, segundo o MP paulista, parte do dinheiro retornava ao Brasil e era investido na Eucatex, empresa do ex-prefeito em São Paulo.

Em 2005, Maluf ficou preso por 40 dias no Brasil e seus bens foram bloqueados, mas a Justiça lhe concedeu liberdade. Além disso, a Prefeitura de São Paulo conseguiu o bloqueio de US$ 22 milhões na Ilha de Jersey, onde parte dos valores foi depositada. O deputado nega as acusações e em recente declaração ao Jornal da Tarde, disse que tem a ficha mais limpa do ‘Brasil’.

Ser comparado a Maluf ou considerado ‘farinha do mesmo saco’ é praticamente uma tragédia.

DENÚNCIAS

Beto já teve a impressionante marca de 435 processos tramitando pela 15ª Câmara, órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo que apura supostas irregularidades cometidas por prefeitos. As denúncias – muitas vezes duplas, triplas e até quádruplas - hoje se resumem a 63 processos. Ainda assim, sempre geraram desgaste à imagem de Beto.

“São dois pontos-chaves dessas denúncias: muitas pessoas perderam privilégios quando assumi o Poder Executivo. Meus detratores, que antes se beneficiavam e tinham conhecimento de práticas irregulares, se tornaram ‘denunciantes’, apontou Beto. “De outro lado, fui o primeiro prefeito a aplicar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que entrou em vigor exatamente em 2001”, continuou. “Havia vícios do passado que eram práticas regulares e eu paguei o ônus por corrigir essas práticas”, complementou Beto.

Como exemplo de heranças viciosas de administrações anteriores, Beto cita casos da Saúde, lixo, contratos como o de convênio médico e também de locação do cinema. “Herdei uma série de problemas que tiveram de ser sanados. Antes disso, entretanto, acabei denunciado”, apontou. “Apenas quem conhecia bem o funcionamento dessas áreas é que poderia mostrar os erros que vinham sendo cometidos”, lembrou.

Cabe ressaltar que, a exemplo do que aconteceu à época de Beto à frente da Prefeitura de Atibaia, atualmente o prefeito José Bernardo Denig segue também como protagonista de denúncias. Ao menos duas dessas denúncias que já foram apresentadas em 2009 – nomeação do chefe de Gabinete e possível nepotismo entre a secretária da Comunicação e o assessor de imprensa do SAAE – voltaram a ser apuradas em 2010. São, desta vez, objeto de CIP na Câmara. Nesta toada, Denig deve ter, ao final de 4 anos de mandato, mais processos que Beto reuniu em 8 anos na Prefeitura.

CONFRONTO

Na entrevista concedida ao Atibaia News, Beto admitiu que a ´pedra no seu sapato` sempre foi a Viação Atibaia São Paulo. “Fui eleito para mudar o transporte coletivo em Atibaia. Assumi um compromisso político e cumpri esse compromisso”, disse Beto.

“Apesar das dificuldades, consegui um modelo aberto para a licitação de transporte. Foi um rompimento com o passado”, declarou.

Como a maior marca de inovação, Beto citou a exigência do pagamento de outorga no edital de licitação da concessão de transporte coletivo. A Viação Atibaia São Paulo ofereceu R$ 4,5 milhões à Prefeitura e venceu o certame, reunindo ainda todas as demais exigências previstas no processo.

A segunda colocada foi a Julio Simões, gigante no ramo de transporte coletivo no Brasil que ofereceu R$ 3 milhões.

Apesar de oferecer o dinheiro em troca da concessão, a VASP quitou a outorga por determinação judicial. A empresa recorreu à Justiça para tentar protelar o pagamento da última parcela. Sem sucesso, apesar de o processo ainda tramitar.

“Nosso edital vem sendo usado em várias cidades paulistas como modelo”, lembrou Beto.

Todo o processo licitatório de concessão de transporte coletivo se arrastou anos até ser concluído. A princípio havia a legislação municipal que, na opinião de Beto, estava viciada. Posteriormente, o edital em si sofreu uma série de impugnações de empresas participantes até, enfim, em 2006, ser levado a efeito. Além da outorga, a concessão prevê a implantação de bilhetagem eletrônica, outro item que bate de frente com os interesses da concessionária.

A implantação da bilhetagem eletrônica não teve prazo especificado no processo de licitação e deveria atender à determinação do Poder Executivo. A VASP por sua vez, anunciou, em 2007, a implantação da bilhetagem. Mas, pelo projeto da empresa, as informações sobre o transporte de passageiros seriam remetidas apenas à própria VASP. À Prefeitura, a quem cabe fiscalizar, os dados seriam só repassados pela empresa.

Segundo o Atibaia News apurou, a bilhetagem eletrônica tem duplo objetivo: beneficiar os usuários com o efetivo controle de linhas e número de coletivos que devem ser disponibilizados à população e também com a futura implantação do bilhete único (possibilita que o passageiro faça mais do que uma viagem em determinado espaço de tempo, pagando apenas uma tarifa).

A outra proposta é fiscalizar efetivamente o número de passageiros transportados. Atualmente, a VASP encaminha dados declaratórios em planilhas que a própria empresa produz.

O controle direto nas catracas pode mostrar o número exato de passageiros transportados. A partir daí, o Executivo poderá gerir o sistema e exercer maior fiscalização de custos da empresa. O que pode resultar até na diminuição do valor dos bilhetes.

O maior confronto direto entre Beto Tricoli e a VASP, entretanto, aconteceu na eleição de 2008. À época, o então diretor da empresa, Sérgio Mantovaninni desligou-se da VASP conforme prevê a legislação para concorrer à Prefeitura de Atibaia. Como sucessor de Beto, o escolhido foi o então vereador do PV, José Bernardo Denig.

Na disputa, todo direcionamento da campanha girou em torno da Administração Beto Tricoli entre os anos de 2001 e 2008. Denig representava a continuidade que Mantovaninni pretendia barrar. Nas urnas, venceu novamente o PV de Beto representado por Denig.

CAMPANHA ELEITORAL

Sobre a possibilidade de ter o registro da candidatura impugnado pela Justiça Eleitoral, Beto acredita que isso pode acontecer. “Vou me defender”, disse reforçando sua condição de condenado em processo que não envolve enriquecimento ilícito ou desvio de dinheiro que resulta em danos ao erário público.

“Eu paguei o preço pelo rompimento com o passado e não me acovardei. Não negociei. Tenho a consciência limpa. Sempre trilhei pelo mesmo caminho. Não mudei de opinião”, destacou Beto.

“Considero que o processo eleitoral é exatamente o momento dos esclarecimentos, de por as cartas na mesa”, disse.

Por outro lado, Beto lembrou de sua trajetória política. “Da mesma forma que me preparei para ser vereador, para ser prefeito, me preparei para a disputa eleitoral à Assembléia Legislativa. Faz parte do meu projeto de vida, do projeto de todo o grupo que me acompanha no PV”, disse.

“Já enfrentei as forças tradicionais de Atibaia e agora vou enfrentar as forças regionais”, finalizou Beto.

CANDIDATURAS

Os registros das candidaturas dos deputados estaduais foram propostos pelos partidos ou coligações (até 5 de julho) e a lista do Tribunal Regional Eleitoral com o nome dos candidatos deve ser divulgada a partir de segunda-feira, dia 12 de julho.


Fonte: Atibaia News (www.atibaianews.com.br)

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