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Política - 24/07/2010 - 06:21
“Se o Edmir Chedid está preocupado com a cidadania, que limpe a própria casa”, disse Beto Tricoli

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O DEM, partido de Edmir, concedeu legenda a um candidato a deputado federal por São Paulo que está na cadeia desde janeiro, acusado de estelionato. Selmo Santos assinou o pedido de registro de dentro do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros.

Se o clima da campanha eleitoral 2010 parecia quente, as declarações do deputado estadual Edmir Chedid, na entrevista concedida ao Atibaia News, serviram como ´gasolina em incêndio`. Edmir pediu a cassação do registro da candidatura de Beto Tricoli, apesar de declarar não ter medo de enfrentá-lo nas urnas.

“Se ele está preocupado com a cidadania, deveria primeiro varrer a sujeira da própria casa”, alfinetou Beto Tricoli. “Fiquei pasmo ao saber que o DEM concedeu legenda a um homem que está na cadeia há seis meses. Isso é absurdo”, continuou.

“Então a cidadania que o Edmir se refere é só para a região onde ele diz atuar? Deveria se preocupar primeiro em limpar a própria casa”, concluiu.

Beto Tricoli concedeu entrevista coletiva na quinta-feira (22), em Atibaia. O objetivo do encontro, para o qual foram convidados órgãos de imprensa da cidade e da região, foi esclarecer alguns pontos. Especialmente o pedido de impugnação de sua candidatura.

Participaram da coletiva dois representantes da Rádio Atibaia AM; um repórter da TV Altiora e da FM 102 de Bragança Paulista – empresas do grupo de comunicação da família Chedid; um repórter do portalbragança.com.br e o Atibaia News.

IMPUGNAÇÕES
Segundo Beto Tricoli, as propostas de cancelamento de seu registro – protocoladas pelo deputado Edmir Chedid e pela Procuradoria Eleitoral - tramitam pelo Tribunal Regional Eleitoral e estão em fase de defesa. O DEM de Atibaia também apresentou o mesmo pedido, mas o diretório não tem legitimidade na questão que envolve o âmbito estadual.

As representações são idênticas e versam sobre a ação de contratação emergencial da Viação Atibaia São Paulo na época em que Beto Tricoli era prefeito de Atibaia.

“Sou candidato sim. A campanha está na rua. Mais do que ter a ficha limpa, eu tenho a consciência limpa”, declarou Beto. “Não roubei, não enriqueci, não desviei dinheiro público e não tenho patrimônio incompatível com meus rendimentos. Sou a favor da Ficha Limpa. Eu não me enquadro na lei”, disparou Beto. “Respeito a Justiça e confio na minha condição de ficha limpa. Se o entendimento da Justiça for diferente, vou acatar com tranqüilidade porque acima de tudo, tenho a consciência tranqüila”, declarou.

A lei complementar 64/90, que encampou as proibições da nova legislação Ficha Limpa, diz que:

Art. 4° A partir da data em que terminar o prazo para impugnação, passará a correr, após devida notificação, o prazo de 7 (sete) dias para que o candidato, partido político ou coligação possa contestá-la, juntar documentos, indicar rol de testemunhas e requerer a produção de outras provas, inclusive documentais, que se encontrarem em poder de terceiros, de repartições públicas ou em procedimentos judiciais, ou administrativos, salvo os processos em tramitação em segredo de justiça.”

Até o artigo 7º a LC dispõe sobre todos os prazos que envolvem o processo de impugnação de candidaturas, até o julgamento no TRE. A partir daí, o candidato pode ainda recorrer ao TSE.

Na lista de candidatos a deputado estadual em São Paulo, Beto Tricoli figura como candidato “com impugnação”. No site do TSE, no campo ´situação do processo`, o órgão informa que o último andamento foi o recebimento de documentos, registrado em 21 de julho. O prazo para apresentação da defesa de Beto Tricoli expira na terça-feira (29). O resultado do julgamento está previsto para ser divulgado no dia 5 de agosto.

Precisamos deixar claro que existem sim processos de impugnação da minha candidatura. Mas não estou cassado. Tenho direito a me defender e é isso que estou fazendo”, disse Beto. “Quando a decisão da Justiça for proferida, o site vai me apresentar com o registro DEFERIDO ou INDEFERIDO. Com impugnação, significa a fase anterior ao julgamento”, disse.


DIFAMAÇÃO
Além da divulgação de que Beto Tricoli ´foi cassado`, outras informações difamatórias e caluniosas estão circulando pela internet, segundo o candidato.

O servidor municipal Luis Carlos de Oliveira Leme, que está afastado sob alegação de alguma doença, vem disparando emails para todos os órgãos governamentais e para endereços de cidadãos comuns, apresentando calúnias sobre minha atuação como prefeito e também sobre minha família”, disse Beto Tricoli.

Em um dos recentes textos, ele acusa meu pai de ter recebido R$ 2 milhões de comissão pela venda da Elektro à Prefeitura. Não admito isso e vamos resolver na Justiça, tão logo o MP, que me pediu esclarecimentos, arquive o procedimento”, disse Beto.

Na defesa encaminhada ao MP local, o ex-prefeito de Atibaia juntou documentos, inclusive referente ao valor da proposta do terreno em questão e que integra os processos administrativos (R$ 2.208.250,00).

Trata-se, portanto, de calúnia contra diversas pessoas, em razão de que solicita-se seja o Representado formalmente cientificado do deslinde do presente procedimento, para a adotação das medidas cabíveis”, conclui Beto na resposta ao MP.

Sobre as razões que levaram o servidor público a encabeçar a campanha difamatória, Beto disse que, ao assumir a Prefeitura de Atibaia, adotou postura rígida diante de vícios e irregularidades que vinham sendo praticadas há décadas.

No caso, o Leme, que era presidente do Sindicato dos Servidores, queria privilégios e eu não cedi. A mulher dele que também é servidora municipal, era ´fantasma`. Estava lotada no Sindicato, mas não trabalhava. Apenas recebia dos cofres públicos”, disse Beto. “Cortei a regalia e ele se voltou contra mim”, contou.

FOGO CRUZADO
Beto admitiu que recebeu apoio do deputado Edmir Chedid quando foi eleito pela primeira vez como prefeito de Atibaia. “Realmente eu tive apoio do grupo dele na eleição. Mas quando assumi, de cara eu cortei os gastos supérfluos. Tinha muitas dívidas a pagar de precatórios, acertar questões das administrações anteriores e adotei uma série de medidas de redução de custos”, continuou. “Contrariei interesses inclusive do próprio PFL, que hoje é o DEM, partido do Edmir”.

O ex-prefeito Beto Tricoli disse que, na gestão anterior à sua, a Prefeitura de Atibaia mantinha um contrato com a Rádio Atibaia AM – do grupo de comunicação da família Chedid - e pagava à referida emissora, cerca de R$ 4 mil mensais.

Eu cancelei o contrato. Na época, o diretor da rádio era o atual presidente do diretório do DEM local, o então eleito vereador Nelson Maturana”, disse Beto. “Pelo que soube à época, o dinheiro servia também para pagar o programa Tribuna Livre”, completou Beto.

O grupo do Edmir elegeu só um vereador naquela época e foi exatamente o Nelson Maturana, que por conta do corte na verba da rádio, se juntou ao grupo de oposição ao meu governo”, detalhou Beto.

O grupo do Edmir mais me atrapalhou do que ajudou. Tudo empacava na Câmara de Atibaia com o vereador dele apoiando a oposição”, lembrou Beto.

O ex-prefeito contou que foi nesse período, entre 2001 e 2004 que não conseguiu alterar a legislação de concessão do transporte coletivo, à época, viciada, segundo Beto.

Fora essa questão, encontramos muita dificuldade para implantar o novo modelo de edital”, disse Beto. "Inclusive por parte do Ministério Público e do Tribunal de Contas. A concessão onerosa, apesar de prevista na legislação, não vinha sendo usada”, destacou.

Sofremos sucessivas impugnações de empresas que questionavam o edital ou outra coisa qualquer”, disse. “Apenas umas das impugnações se estendeu por três anos. Essa foi a dificuldade em efetivar a licitação. Mas valeu a pena. Atibaia serve de modelo e conseguiu 4,5 milhões da empresa que venceu o certame, para investimento livre”, lembrou o ex-prefeito.

Essa é a minha defesa no pedido de impugnação da minha candidatura. Não houve dolo, má fé, enriquecimento, nada. Apenas um trâmite conturbado para por em prática um modelo praticamente inédito de edital com concessão onerosa”, concluiu.

REALIZAÇÕES
Para Beto, há controvérsias nas realizações que Edmir Chedid cita como sendo dele em Atibaia. “Ele foi comigo na primeira reunião sobre as 368 unidades habitacionais. Só isso. Tive que apresentar a contrapartida ao Estado que, além da área, foi concretizar toda a infra-estrutura das unidades anteriores, cujas casas foram construídas na administração Gilberto Santana e Flávio Callegari”, lembrou Beto. “Se eu não fizesse isso, o CDHU não faria novas casas”, concluiu.

Quanto à pavimentação da Alameda Lucas Nogueira Garcez, Beto garante que usou de um artifício para enganar a oposição. “Ninguém sabia que o projeto era da Lucas. Eu informei apenas ´entrada da cidade` para confundir a oposição”, disse.

“Se não, aconteceria como a Carvalho Pinto, cujas desapropriações ainda tramitam por força da oposição, que trabalhou contra o projeto”, declarou.

Quanto ao AME, Beto considera que as próprias declarações do deputado Edmir Chedid, na entrevista concedida ao Atibaia News, são contraditórias.
Ele cita uma frase do governador que literalmente informa a implantação do AME na região, mas que, a pedido  dele, Edmir - seria em Bragança Paulista”, apontou Beto.

Em 2007, eu e mais 15 prefeitos nos reunimos com o governador para exigir uma contrapartida à instalação da Fundação Casa em Atibaia e em Bragança Paulista. Queríamos reforço na Saúde e o Serra nos prometeu que traria algo para a região. Na época, não existia o AME ainda”, lembrou Beto.

Daí em diante, quando surgiu a possibilidade do AME, o governador acatou o pedido do Edmir para que fosse lá em Bragança. O que não aconteceu por falta de prédio apropriado, Eu iniciei a obra onde está o AME hoje e se o ambulatório está em Atibaia, foi por força da atuação do nosso grupo”, concluiu Beto.


Fonte: Atibaia News (www.atibaianews.com.br)

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